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Imagem: Katsushika Hokusai / Viajantes surpreendidos por um vento súbito (1832)

Editorial Era uma vez um dia em que a palavra escrita existia para imortalizar as coisas e buscar as grandes verdades da vida. Textos eram escritos em monolitos, elegias eram recitadas para os mortos, óperas esmiuçavam a condição humana, romances eram criados para discutir os certames éticos da sociedade. Era assim a literatura e ela vendia mais do que pasta de dente.

No século XIX, Tolstói, o escritor mais pop da Rússia do seu tempo, peitou o tzar e militou ativamente para a abolição da servidão, depois criou um precursor do sistema Paulo Freire, educou essa galera toda e ainda disse que as crianças camponesas escreviam melhor que ele. De quebra, porque tinha um tempo sobrando, fundou a própria religião, virou vegetariano pacifista e agitou as massas num movimento que deu origem TANTO à revolução russa QUANTO à independência da Índia. Seus escritos, de tão subversivos e francos, foram censurados TANTO pelo governo tzarista QUANTO pelos expurgos comunistas.

E você? O que você fez hoje? (Eu levei o carro na oficina e dei o dia por encerrado. E escrevi isso.)

(clique aqui e leia a íntegra do editorial)

 

Verão 2015

Edição amarrada em um poste

 

Contos

Sobre cães e olhos

de Thais Lancman

Um chiuahua sem um olho de uma cidadezinha em Louisiana é o mais próximo que eu tenho de um amigo. Vejo diariamente as as fotos que seu dono publica na Internet, e por meio delas sei como ele se sente.

o poço de baixo. ou a mulher dourado.

de  Geruza Zelnys

sem sombras e dúvidas eles eram um casal feliz. ele mais do que ela porque sempre sorrindo e o pão quentinho na hora do café. dentes brancos que todos viam ...

Essa não é longa o suficiente para ser uma história de amor

de Patrick Holloway

Ambas viviam juntas, apenas separadas por uma parede, e unidas por uma mesma memória de uma mãe subitamente presa e desaparecida quando ainda eram jovens.

Marina Skylab

de Davi Boaventura

Minha irmã e eu no apartamento, a mesma cena de sempre. Por que demorou? O trânsito. De verdade? Lógico que não, ele demorou de novo para me pegar.

Aventuras na vida de Berubim

de Rafael Lasevitz

Berubim dormia e tentava apanhar seus sonhos no teto quando foi acordado por um senhor. O senhor, que vestia uma camisa xadrez com gola xadrez, disse a Berubim que não deveria dormir desta maneira quando havia tantas coisas a serem feitas no mundo e fora dele

A fúria sem som

de Matheus Arcaro

Cadê a Tereza? Faz tempo que ela não me dá banho. A mão da Tereza era leve, parecia o beija-flor que cheirava as flores da mamãe. Ela me deixava tão cheiroso que um dia quase o beija-flor veio me beijar.

A caixa mágica

de Gilberto Chaves

O entardecer coloria, aos poucos, lugares estratégicos naquele canto da cidade, pintava de rosa apenas alguns espaços dispersos. O restante passava de uma claridade ardente a uma penumbra cinzenta.

 

Ensaio

Carta ao pai redux

de Raquel Parrine

Sinceramente, queria muito detestar este livro, mas aqui volto a ele, tentando encontrar uma compreensão, ou o motivo, left and right, por que esta pequena obra é uma das mais emocionantes, grandiosas e plurissignificativas da literatura.

 

 

Poemas

Das minhas últimas conversas e outros poemas

de Leandro Rafael Pérez

adivinha quem é? (risos) o senhor me desculpa se a ligação cair, tou no metrô. até pus crédito pra te ligar.

poemas que não tentam ser poemas

de Patrick Holloway

A vida, em alguns dias, é um livro encontrado numa outra língua. Letras e símbolos que você não entende, mas continua lendo de qualquer maneira.

A um cão sem cabeça e outros poemas

de Marcelo Pierotti

Tornei-me íntimo do cão decapitado depois de três ou quatro dias mal-cheirosos na mesma esquina ressequida de onde despontam suas patinhas.

Se a cada comentário de blog eu ganhasse dez centavos e outros poemas

de Jeanne Callegari

miolos comam miolos, fazem bem para a pele, fortalecem os ossos.

sexshop

de Geruza Zelnys de Almeida

sim, amo você, e não, não quero transar, eu não quero transar porque hoje é sábado, não quero transar porque é normal [não é nada normal]

Comprovante e outros poemas

de Maíra Ferreira

lembrar de você já é lembrar de alguma coisa, se tudo me escapa e continuamente esqueço o que pensava saber, como pensei saber teus dedos sobre a minha coxa ou pensei saber as tuas coxas abocanhando meus dedos

Pula corda sem esforço

de manSHA

Pula corda sem esforço, e a saia pula também com o alvoroço.
“Hoje é domingo, pé de cachimbo ...”. Pula a corda porque a alegria pede, e crê que por essa felicidade o sol reflete.

Tabu e outros poemas

de Mestre Américo

Tatuei Jesus na parte posterior das coxas pra mostrar com minissaia mas não posso usar minissaia porque sou Homem.

Operários a beira e outros poemas

de Viktor Schuldtt

Acordado ainda (calado, desde Abissínia) é terrível o sonho que soldados invadem luminescentes, sabido agora meu peito coalha, se molha da tua saliva velha, vida, enquanto tomado de assalto o parapeito fabrica – os passaportes, rusgas do passado

Dois sonetos

de Wanderson Mendes Machado

No rabisco do lápis, vai compondo o poeta em esforço divinal, no silêncio da vírgula, estrondo, no silêncio do verso, carnaval

Isto não é um aviso e outros poemas

de Victor Prado

Meu argumento reside em meu olhar, minha aflição retida na falta, na ausência, no forçar da mandíbula.

O que dizem os descabimentos

de Iago Passos

algum silêncio por trás de cada palavra (um não dito) alguma reclusão no fim de cada tropeço (deve haver)

Cloro e outros poemas

de Ana Maria Vasconcelos

eis que viro uma dobra de mundo por dentro: brochura abraçada, cai-me uma praia sob: pura contemplação (horror incluso); não há portas: chegar é há muito, mas pisar

Poemas do livro Tempoiésis

de Matheus Arcaro

A penumbra que invadia a janela, realçava a rouquidão das retinas.
A voz envelhecida revelava seu avesso: embaraço de traços, traças num abraço suado.

Cristalografia

de Maíra Mendes Galvão

no crisol, cristalogia que intento acumular é o avistado que se embrenha e transforma nas cristas e crenelagens, grisol.

De distúrbios e desejos

de Gabriela Holanda

Cru: na boca, a carne rompe-se entre os dentes, rompe-se em sangue, rompe-se com o sabor amargo de tão adocicado. Desce quente e se aloja com um frio no fundo do peito; faz desvio; não desce, sobe;

Ocea(n)do

de Marina Cristaldo

O primeiro a chegar na linha de chegada. Aparece em sonho, furtivo, leva-me a superfície, tira-me o fôlego. Nada deixa para os próximos homens em dias diferentes.

Recibo amarelo ficando branco

de Moema Vilela

desde que saí da BR-13 e deixei você no portão pessoas de fora me vêem caminhar,
fazer compras, responder perguntas sobre as férias

Bate e um anti-haykai

de Gabriel Ataíde

Bate martelo levanta alavanca soca o peito em balas, os lábios em
fornalhas quentes

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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