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Poema de Geruza Zelnys de Almeida

sim, amo você
e não, não quero transar

eu não quero transar porque hoje é sábado
não quero transar porque é normal [não é nada normal]
não quero transar porque é meu marido / meu amante / meu melhor amigo / chefe / des / conhecido
não quero transar porque queima caloria / faz bem pro coração / pra pele / cabelo / rejuvenesce / ativa a circulação / dá gás na relação
não quero transar porque é capa de revista nova / matéria de jornal / pauta do globo repórter / cena de novela / data comemorativa / passeata na paulista
não quero transar porque minha saia é curta / postei foto no facebook / abri um vinho / convidei pra subir / não curto cocaína / acabou a erva
não quero transar porque esbarrei no teu pau / porque acorda duro de manhã / porque ele tá tristinho / tá feliz / o pequeno príncipe cresceu / tá passando faustão / teu time perdeu / o messi fez gol
não quero transar porque não estou com dor de cabeça / pra não ter de buscar na rua / porque teve um dia difícil / foi promovido / fizemos as pazes / brigamos
não quero transar porque escrevo poesia erótica / livro infantil / crônica do cotidiano
/ não sei escrever /
não quero transar porque meu vibrador tá na assistência técnica / minha tv / o controle remoto/ o liquidificador
não quero transar porque azul é a cor mais quente / porque você não entendeu lars von trier
não quero transar porque sou mulher [não sou só mulher]
porque você é homem / é foda / sensível / romântico / troglodita
porque eu dou pra todo mundo / porque eu não dou pra ninguém
porque acabou a energia / porque estamos cheios de energia
porque estou carente / não estou carente / você está carente
porque a paisagem é linda / não tem graça / a situação é arriscada / é seguro
porque a cidade não tem lazer / por lazer
porque é sinal de que tudo está bem / porque nada está bem

não quero transar porque um dia alguém inventou um motivo pra transar

não quero transar porque você quer / acha que quero / que preciso / tô quieta / falante / estressada / safada / porque vou menstruar amanhã / menstruei hoje / pra não deixar pra depois / porque a hora é agora / porque não tem nada mais pra fazer
não quero transar porque os vizinhos têm vida apimentada / porque as crianças estão dormindo / porque não temos filhos / pra fazer um filho
porque sou feminista / liberada / conservadora / conservada / professora / malhada / molhada / ninfeta / funkeira / madura / melancia / bailarina / caixa / de banco / supermercado / papelão
porque sou uma gata / uma cachorra / vaca / tua coelhinha / uma putinha / a mãe dos teus filhos / prostituta
não quero transar porque compramos apartamento / perdemos as chaves de casa / fulana posou pra playboy / a outra não deu pra você / sofreu rejeição maternal / tem dificuldade de expressão / ereção
porque precisa acreditar que é macho / não quer acreditar que é gay

não quero transar porque tem promoção de motivos no sexshop da esquina
não quero transar por 1,99

só quero transar porque eu quero
só quero transar quando quero
só quero transar por desejonecessidade

e se você quer mesmo
e é imprescindível que seja comigo
então esqueça motivo

cave em mim um cio

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Verão 2015 / Edição amarrada em um poste

Geruza Zelnys de Almeida

Eu sou a Geruza, moro em São Paulo e vivo no interior. O que ela mais gosta de fazer é escrever versinhos no Facebook porque lá todo mundo curte (mas quando vira poema com mais de 5 linhas ela posta no meu blog: geruzazelnys.blogspot.com.br). Já tenho muitos livros escritos e nenhum publicado (4 deles estão no prelo – e parece que vão ficar lá pra sempre -, são 2 de literatura infantil, 1 de poesia e 1 de conto). Ela é doutora em Literatura pela USP e dou aula na PUC-SP. Também trabalho com formação de escritor na Casa das Rosas e faz mediação em Clubes de Leitura pelo Grupo Movimenta. Criou o curso de Escrita Curativa realizado em ambiente terapêutico (Instituto Naturare). Recebi alguns prêmios literários (Mapa Cultural Paulista) e tem participado como jurada em vários concursos no estado de São Paulo. Está mais madura, mais feliz e menos bipolar, ultimamente. Não gosto de letras maiúsculas, mas elas gostam de mim e, às vezes, não consigo evitar.

 

Outras publicações de Geruza Zelnys de Almeida na Raimundo:

o poço de baixo ou a mulher dourado (Verão, 2015 / Edição amarrada em um poste)

Blog da autora

http://geruzazelnys.blogspot.com

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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