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Das minhas últimas conversas e outros poemas

Poemas de Leandro Rafael Pérez

 

Das minhas últimas conversas

haha
hehe
tranquilo?
não consegui falar com o nivaldo

* * *

Da única conversa sua que ouvi

adivinha quem é? (risos) o senhor me desculpa se a ligação cair, tou no metrô. até pus crédito pra te ligar. A POBRE (risos) (silêncio) que bosta (silêncio) liguei pra te desejar feliz aniversário, muitos anos de vida […] (risos) sou eu que agradeço ter nascido.

*

crisma para herdeiros
a moeda será espelho

ou no mercado nada comprará:
mesmo pagando será roubo.

*

— ipe ipe ira
sua excitação não tem festa

joga macacos no tigre

— ipe ipe pimba
senão não se contenta

*

coma inalado
superfície descartável

é preciso haver um critério,
não serei eu a dizê-lo

é preciso haver um critério,
não serei eu a usar boné verde

hoje são as bodas de prata
da nossa razão,

desde a varanda do acaso
a gente acena feito besta

*

justo no laço demente
da vontade com os fatos
um rancor de não ver mar

*

faz senso, Enzo
as linhas do horizonte não inspiram retidão
nenhuma das que viste does

do alto de uma passarela em
mongaguá ou numa canção do Cale

recente como devem ser as veias,

os horizontes só desenham declives
com o ápice no meio longe do céu

refletindo hierarquias,

você está certo, Enzo
o jeito é quebrar tudo.

*

Digo que um alívio precede o outro,
que quem aprende a cantar se alivia

nas vogais que prolonga mesmo antes
de aprender a desamargurar o amor

numa letra triste.

Digo que uma angústia contradiz a outra,
no mínimo,

quando não se engolfam numa verdade tola
de a vida ser cruel, de um possível

suicídio, etc.

Queria que isto fosse uma canção
para eu cantá-la a um amigo

que ignora o teatro,
que nunca terminou um livro.

 

 

 

 

Verão 2015 / Edição amarrada em um poste

Leandro Rafael Pérez

Leandro Rafael Perez nasceu em 1987 e tem a altura da Carmem Miranda com um chapéu-coco. Mora na divisa com Diadema, em São Paulo, e é formado em linguística e português pela USP. Tem um livro perdido pela internet (Pálpebras Amarelas, 2008) e publicou pela editora Patuá, em 2011, lança além do real só. A mesma casa tem no prelo o livro de poemas e desenhos turnê a meio mastro. Um poema seu consta na terceira edição impressa da revista Modo de Usar & Co. e escreveu uma série inédita para a revista virtual Geni. Mantém o blogue fumante entre cavalos.

Blog do autor

fumanteentrecavalos.blogspot.com

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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