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Quatro poemas brasilienses

Coletânea de poemas de Jório Cunha

 

São sete maritacas em assembleia
e cada uma faz sua proposta.
Mas vai ter sempre aquela que não gosta
e aquela que grita: "Não dá ideia!"

Mas quem propôs devolve: "Não te mete!"
E a confusão, então, tá instalada:
Um xingamento e uma resposta, cada.
Berram cacófonas, todas as sete.

Mas quando o fim de tarde se aproxima,
começam a calar suas matracas
até que mais nenhuma delas pia.

Procuram seus poleiros lá por cima
da árvore que abriga as maritacas,
vivendo em sua maritacocracia.

 

* * *

 

vento vem primeiro
arrastando as vontades e os cabelos

chuva vem depois, com sua força primeva:

folhas
lembranças
constelações

tudo a água lava

ou tudo leva.

 

* * *

 

tem
um casal de andorinhas
fazendo seu ninho
no forro de gesso
do pilotis do meu prédio

elas saem voando,
dando voltas, piando
como um redemoinho

rodopiam e voltam
pro ninho

que alegria, que viço,
esses dois passarinhos,
entre voos e aninhos

eu
só observo a ciranda
tititi, rebuliço
da família vizinha:

olhando da minha varanda
ouvindo da minha cozinha

na minha.

alguém tem que avisar a esses dois
que amanhã tem reunião de condomínio.

 

* * *

 

entardece
e o mundo vira moldura

a cor da parede muda
a cor do tempo muda e da distância
muda a cor dos gritos da molecada
lá embaixo, na quadra de futebol

até o lanche que acaba:
sobre a mesa, prato sujo, meio copo
resto, sobra, farelo, migalha, fiapo

entardecendo, aquilo que era beterraba,
vira mancha de batom

no guardanapo.



 

 

 

Primavera 2015 / Obras gloriosas

Jório Cunha

Jório acha que há mais paratexto nas anotações de borda de página e carimbos de cartões de biblioteca amarelados colados nas capas de trás dos livros do que em qualquer orelha estropiada e colada com durex. Traduz poesia, às vezes mais por insolência do que por paixão. Tem um poema publicado na antologia poética do concurso Sarau Brasil (Novos Poetas) 2014, pela editora Vivara, e é só.

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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