Início          Edição atual          Edições anteriores          Blog          Corpo editorial          Normas para publicação          Quem somos?          Contato         

 

Danutz

Conto de Ruxandra Cesereanu / Tradução de André Carlos A. Heliodoro

Olha, coloque esse relógio grande pra te acordar às seis pra você ir pra fila no meu lugar porque eu tenho que ir pra fábrica. Com certeza até às oito dá pra conseguir açúcar, óleo, manteiga, ovos, leite e o que mais tiver. Depois leve tudo pra casa e vá pra escola. Danutz fez que sim com a cabeça, tinha sono, eram dez da noite, aos trancos e barrancos fizera a tarefa de casa para o dia seguinte, precisava aprender de cor a tabuada de multiplicar e ainda se embaralhava, o papai não teve tempo de o escutar e ajudá-lo, voltara tarde da fábrica de móveis onde trabalhava com horário quase dobrado para ganhar um dinheiro a mais. E agora surgira esse negócio de fila, de ficar na fila e esperar a vez de ser atendido para comprar açúcar, óleo, margarina, ovos, leite*. O menino esfregou os olhos, o papai beijou-o e abraçou-o e depois foi assistir televisão, se bem que não havia nada para ver a não ser progama de música patriótica.

         Não se esqueça da chave da casa, deixe a chave no pescoço, não tire a chave do pescoço, entendeu? ainda disse o papai. Siiim, o filho respondeu baixinho e por entre os dentes, se entregando ao sono assim que fechou os olhos. Sonhou mais outra vez com a mãe, de como estava deitada no caixão vestida de noiva, naquela cama de madeira limpa, e de como ela fugira de casa com caixão e tudo. Papai depois lhe contara que a mãe estava viajando e que voltará de lá do estrangeiro com brinquedos e presentes de todo tipo, mas isso só daqui a uns anos.     

          Por que mamãe não manda do estrangeiro açúcar, óleo, manteiga, ovos, leite, Danutz perguntara ao papai um dia antes. Não tem como, até chegarem aqui tudo se estragaria. Viagem muito longa. E depois as garrafas de óleo e leite poderiam se quebrar no caminho e a manteiga iria se derreter. Os ovos também se quebrariam. E por que mamãe não manda cartas de lá de onde ela está agora? perguntara ainda Danutz. Não tem como, repetiu o papai com uma voz especial, ela não pode voltar ainda e tem receio de que você vai querer ir atrás dela. Acontece que ela ainda não tem condições de receber você por lá. Mas se eu pudesse ficar com mamãe não precisaria de mais nada. Todo dia eu só comeria pão. Nem brinquedo eu iria pedir. Mais uma vez a mesma conversa, aquele já era um diálogo habitual entre os dois. O papai sabia que o filho não vai parar de perguntar da mamãe. E sabia que Danutz sabe a verdade, que a mamãe já morreu, mas que não quer aceitar a situação. Então, até que não era mau deixar as coisas assim, pelo menos por um tempo.

          Não tire a chave do pescoço por nada nesse mundo, escutou a voz do papai em sonho. Não vou tirar, disse Danutz. Finalmente, às seis, o despertador soou tresloucadamente assustando Danutz, que prontamente lembrou de tudo o que o papai lhe dissera para fazer. Lavou o rosto e escovou os dentes, lavou as mãos, o pescoço, as axilas. Vestiu o uniforme da escola e achou na cozinha uma fatia grande de pão preto com mel e um chá de menta. Era sempre assim seu café da manhã. Pegou a chave da casa que ficava dentro um cinzeiro não usado no vestíbulo, pendurou-a no pescoço e saiu batendo a porta atrás de si do jeito como tinham lhe ensinado. 

          Para a sorte de Danutz eram apenas cinco minutos do bloco residencial até o armazém onde ele precisaria ir para ficar na fila. Mas lá fora estava um breu, ainda era tempo ruim de inverno com frio e muita lama por causa da neve derretida. Não estava sozinho na rua, vira mais pessoas passando sob a luz embaciada dos postes de iluminação, algumas indo trabalhar, outras apressadas para chegar na fila do armazém onde também teriam que revezar o lugar com alguém. Danutz até viu outros meninos da escola, uns mais grandotes. Mas ninguém dizia uma palavra, pairava um silêncio daqueles quando não se dorme o bastante, só frio e sono e a sensação de não saber para onde ir. Nem andara tanto e já avistara a fila de pessoas mudas, umas sentadas em tamboretes, outras saltitando num pé e no outro para dar uma aquecida. O papai logo o vira, com certa inquietação já começava a olhar ora para o caminho entre os blocos residenciais ora para o relógio.              

         Com sono? perguntou o papai no lugar de bom dia e dando-lhe um abraço para aquecê-lo. Um pouco, mas vai passar, disse Danutz. Acho que em uma hora e meia vai chegar a nossa vez, olha, às sete o armazém abre e a gente está no meio da fila. Com certeza vai dar pra você chegar na escola, sem atrasar. Danutz sabia que o papai ficara na fila desde às quatro da manhã e que agora tinha que ir embora porque na fábrica verificam a presença dos que entram no turno diurno precisamente às sete horas. Tomou o lugar do papai enquanto este ainda trocava umas palavras com outras pessoas da fila. 

          É meu menino, Danutz, se puderem, por favor, cuidem para que ele consiga ser atendido. Eu preciso estar na fábrica às sete, já quando abre. A pessoa na fila depois dele, uma mulher de uns quarenta anos, deu uma resmungada, a da frente igual, era uma outra mulher, só que mais velha, também essa resmungou qualquer coisa. Pode ir tranquilo meu senhor, não vai acontecer nada, o garoto vai chegar até lá na frente e vai comprar o que tiver de comprar, pois aqui não é casa de mãe Joana, por isso respeitamos a ordem e ficamos na fila, para sabermos quem, onde, o quê e como chegamos lá na frente. Pode ir, não precisa ficar mais, isso é café pequeno.

          E papai foi embora. Danutz se acomodou no lugar estabelecido, frio, neblina e todas aquelas pessoas ali, parecendo encolhidas e acocoradas, aparentando serem anõezinhos. Salvaguardado por aquelas duas mulheres, Danutz estava entre zonas de calor onde chegava de vez em quando uma brisa de respiração humana. Estava para adormecer ali mesmo em pé, mas o frio cortava qualquer vontade e o despertava quase que aos solavancos. Houve um momento em que Danutz saiu um pouco da fila e percebeu que outras crianças também estavam por ali, não muitas, umas cinco ou seis, todas deixadas lá pelos pais como objetos de penhora.     

          Hoje na escola a professora iria tomar-lhe a tabuada de multiplicar, Danutz começou a calcular mentalmente e aprender de cor. Não tinha ideia por quê mas ele se atrapalhava bastante no seis vezes sete, sete vezes oito, nove vezes sete, nove vezes oito. Seis vezes sete igual quarenteum, nããão, quarentedois, sete vezes oito igual cinquentesseis, siiim, nove vezes sete igual sessenteum, nããão, sessentetreis, nove vezes oito igual setenteum, nããão, setentedois. E retomava do início. De quando em quando ele tocava na chave do pescoço, porque imaginava que mamãe lhe dera a chave para que nunca a perdesse. Papai era o guardião dela apenas à noite, mas tinha sido mamãe a pessoa quem de fato lhe dera a chave. Com a chave no pescoço podia entrar em casa a qualquer hora, mesmo quando o papai não estivesse lá. A mamãe é quem nunca mais estaria lá.        

          No início ele andava com a chave nas mãos, mas, depois de tê-la perdido, e por causa disso terem se aborrecido muito ele e o papai, passou a levar a chave pendurada no pescoço, amarrada num cordão grosso que era para não se partir. O cordão meio que arranhara seu pescoço no começo, mas depois se acostumara. Seis vezes sete igual quarentedois, nove vezes sete igual sessentetreis, nove vezes oito igual setentedois.

          Por vezes, quando estava sozinho em casa e vinha aquele medo, Danutz começava a procurar pela mamãe pelos armários. Em outra ocasião até abrigou-se no guarda-roupa, porque se sentia como se estivesse num ninho. Ficava quietinho ali, mesmo sem ter encontrado uma entrada secreta qualquer, porque pressentia ou sabia que mais dia menos dia acharia uma casa escondida, e talvez tivesse então que usar justamente aquela chave do pescoço. Era agradável ali dentro, no meio das roupas, colchas, fronhas, edredons. Também estava lá o vestido branco de noiva da mamãe, colocado numa bolsa.

          Às vezes tinha vontade de pular da varanda deles à varanda dos vizinhos, mas tinha medo. Os vizinhos não tinham filhos, e ele não era gato para ter nove vidas, assim o papai lhe dissera. Ele também gostava de ficar no elevador do bloco, também ali era como se estivesse num ninho. No início o papai deixava a chave embaixo do capacho da entrada, onde limpavam os pés, mas todo mundo falava que a gatunagem tinha aumentado e com mais ladrões por aí não era bom deixar a chave assim tão fácil, mesmo eles não tendo em casa nada de valor para ser roubado.    

          Olha que finalmente estão abrindo o armazém, disse a mulher na frente de Danutz. Tiveram pena da gente com um frio desses. Tiveram pena da gente uma ova, disse a mulher atrás de Danutz, encolhendo os ombros e esfregando as mãos calçadas com luvas de lã grossa tricotadas. As pessoas começaram a se agitar e a saltitar ainda mais num pé e no outro. Deixem de aperto e parem de pinotar feito gafanhotos, gritou o vendedor do armazém quando abriu a porta, um sujeito atarracado, baixote e meio careca. Todo mundo aqui vai conseguir levar alguma coisa, disse ele depois de ter apertado ainda mais o casaco ao redor do corpo. Brrrr...

          Mas as pessoas se mostravam furiosas, aqueles anõezinhos começaram a falar e a gesticular sem parar. Como assim todo mundo vai conseguir levar alguma coisa? Acham que a gente ficou aqui pra nada? Feito idiotas? Vocês não têm vergonha na cara, ora vão pro diabo que os carregue! Povo de ignorantes e de escravos, ai de mim e de nós todos, vamos nos enterrar aqui uns aos outros, com essas cartelas, vales e de esperar na fila! Escutem o que eu estou dizendo, gritou o vendedor, deixem de falar besteiras. Quem der mais um pio não vai receber nada, eu fui claro? Se quiserem receber isso e aquilo e ir para casa com a sacola cheia, bico calado. E quem calar a boca vai receber algo de quebra. Recebemos do depósito também uns quilos de tangerina. Fui claro?

          O alvoroço aumentou e as pessoas começaram a se acotovelar. Tangerinaaaaaaaa, a palavara correu de boca em boca chegando até depois do meio daquela fila de umas trezentas pessoas, mas quem é que sabia o que era aquilo, tangerina, se ninguém nunca tinha visto ou comido uma coisa dessas? O vendedor percebeu logo a situação e decidiu explicar àqueles insones mortos de frio que estavam na fila. Tangerina é uma laranja nanica e mais doce. Tem muita vitamina C, é boa para gripe. E as tangerinas que recebemos já estão no ponto, vocês não precisam esperar que amadureçam. Vejam só que sorte vocês têm.

          É muito desaforo, enfureceu-se um velhinho fanho. Zomba de nós feito um porco. Só porque é o mandachuva, é quem decide o quanto a gente recebe de açúcar, óleo, e manteiga, e ovos. E agora vem nos enganar de novo com essas tangerinas! Mas ora vejam só, quem aqui é que é porco? Disse o atarracado gritando enraivecido para a multidão, pois o velhinho já tinha se escondido para não ser notado. Eu já não falei que todos vão receber de tudo se ficarem quietos? Fiquem calminhos, fiquem quietinhos na fila, cada um espere chegar a sua vez que vai receber. E o meu presente para vocês, para os que pagarem, naturalmente, tangerinaaa, ressaltou ele, alongando a palavra. Uma tangerina por pessoa. Pronto, vamos começar as vendas, todo mundo com os vales preparados para o negócio andar mais rápido.

          Danutz não sabia bem o que era essa fruta, mas gostava de como soava a palavra, tangerina, ventilada por aquele homem atarracado e calvo. Tinha comido laranja umas duas vezes, os gomos eram transparentes e de gosto azedo e deixaram-lhe uma ardência no céu da boca. As laranjas que tinha comido não estavam tão maduras assim, mas maduras ou não isso pouco importava. E devagar andava a fila, todo mundo já com os vales à mão, todos apressados, tinham serviço, escola, coisas para fazer. O frio tinha comido a língua deles, não diziam mais nada, aqui e ali um ou outro ainda soltava algo sobre a fila do armazém, sobre o tempo, sobre o frio, sobre humilhação e estupidez. Danutz não entendia, só fazia repetir mentalmente a tabuada de multiplicar, especialmente seis vezes sete, nove vezes sete, nove vezes oito.    

          Já era dia claro quando Danutz chegou na entrada do armazém. Parecia que tirara suas mãos de dentro de uma geladeira quando entregou os vales-alimentação para as vendedoras, porque eram duas mulheres, atrás delas ficava o atarracado. Pegaram os vales, conferiram, anotaram num caderno quantos vales são e para quê. Em seguida as mulheres deram-lhe nessa ordem dois quilos de açúcar, um litro e meio de óleo, dois litros de leite, dez ovos e uma barra de manteiga. E no fim, depois que Danutz, ajudado pelas duas mulheres que se apressavam para se livrarem logo daquela gente e daquela fila, colocou cuidadosamente os produtos nas sacolas de ráfia que o pai tinha lhe dado, uma das mulheres estendeu-lhe sorridente uma tangerina, esperando dinheiro em troca. Só que Danutz tinha apenas os vales que o papai lhe dera para os alimentos racionados na cartela. Não custava caro uma tangerina, mas Danutz não tinha mais nenhum dinheiro, só os vales e a chave da casa.       

          Se não tem dinheiro não pode levar tangerina, disse o vendedor atarracado. Não podemos fazer nada, não é a primeira vez que isso acontece, não podemos infringir a lei e dar assim fiado. Mas mesmo assim vamos dar para ele uma tangerina, disse conciladora uma das vendedoras. Nem pensar, é um mau exemplo para os outros. A gente paga a tangerina, disseram ao mesmo tempo as duas vendedoras, como se tivessem combinado. Vocês é que sabem, cedeu no fim das contas o atarracado. O mundo não vai desabar com tanta caridade, completou ele.

          Danutz pegou a tangerina e agradeceu. Fale para seus pais que você ficou devendo aqui no armazém, disse uma das mulheres. E quando você vier pra fila de novo, da próxima vez, traga um dinheirinho a mais, é bom ter. Sim, disse Danutz, vou falar para eles e depois venho pagar a tangerina.

          Danutz despregou-se daquela fila apertada, desatou-se da multidão, teve cuidado com as sacolas para que não se desfiassem, para que as bolsas com leite ou ovos não se rasgassem e tomou o caminho de casa, a chave badalando submissa no pescoço. Abriu a porta, entrou na cozinha, colocou o açúcar na mesa e o resto na geladeira. A tangerina tinha ficado no fundo de uma das sacolas. Danutz tirou a tangerina e olhou-a. Só que agora tinha que correr para a escola, rápido a toda. Já eram quinze para às oito. Depois da aula teria tempo de sobra para pesquisar a tangerina com toda a tranquilidade. E então a mostraria ao papai, e os dois a comeriam. Cheirou a tangerina feito um ratinho, depois acomodou-a bem no meio de uma poltrona, como uma rainha, por fim bateu a porta da entrada e se arrancou para a escola.              

*Com a falta de gêneros alimentícios na Romênia dos anos 80, as pessoas eram obrigadas a ficarem na fila já desde a madrugada para garantir a compra de alguns alimentos. A quantidade de produtos que alguém poderia obter se dava em função do número de pessoas na família, e a distribuição das mercadorias era controlada por cartelas de racionamento. Frequentemente os adultos que trabalhavam tinham que deixar seus filhos na fila dos alimentos, ou às vezes pediam ajuda a um vizinho aposentado.  (N. T.)    


 

 

 

Primavera 2015 / Museu das conversas desencontradas

 

Ruxandra Cesereanu

Nascia em 17 de agosto 1963 em Cluj-Napoca na Romênia, Ruxandra Cesereanu é poetisa, novelista, ensaísta e também romancista. Atualmente é professora universitária na Faculdade de Letras de Cluj-Napoca, cátedra de Literatura Comparada. As histórias traduzidas fazem parte de seu último romance “Un singur cer deasupra lor” (Um único céu acima deles), no qual a autora trabalhou dez anos antes de sua publicação em 2013. "Um romance-afresco sobre as transformações acontecidas na Romênia desde o início da instauração do sistema comunista até o período pós revolução de 1989, romance construído de pequenas histórias de pessoas que fizeram parte do poder comunista ou que lutaram contra ele, guerrilheiros nas montanhas, deportados, presos políticos, opositores, dissidentes, policiais, militares, presidentes, torturadores, delatores e muitos outros, vítimas e opressores, todos vivendo sob aquele mesmo céu, entre 1945 e 1991, limites cronológicos deste afresco épico".

André Carlos A. Heliodoro

André Carlos Arruda Heliodoro é pernambucano e passou a maior parte da infância na cidade de João Alfredo. Estudou até a sétima série na vizinha Limoeiro, cidade onde nasceu no dia 2 de junho de 1979. Foi morar no Recife em 1993, concluiu os estudos no Colégio Marista e formou-se em Comunicação Social (turma de Radialismo e TV) na UFPE em 2002. Em seguida ainda estudou Ciências Sociais na mesma universidade, porém, não concluiu o curso. Trabalhou sete anos como pesquisador de campo coletando dados para as pesquisas de emprego e desemprego do IBGE (de 2005 à 2007) e do DIEESE (2008 à 2013). Teve um primeiro contato com a língua romena ainda na época em que era estudante de Comunicação, quando, por acaso, com o rádio transistor que era do seu avô, escutou um programa em romeno transmitido em ondas curtas pela Rádio Romênia Internacional. Cativado pela musicalidade do idioma, decidiu estudar a língua como autodidata depois que encontrou dois velhos manuais de romeno na biblioteca da universidade. O estudo da língua fez com que ele manifestasse um interesse incomum em conhecer mais sobre a cultura romena (especialmente história, sociologia, cinema e literatura). Visitou a Romênia pela primeira vez no mês de agosto de 2012, mora em Bucareste desde março de 2013 e ainda não perdeu nada de seu entusiasmo inicial de querer saber e entender mais sobre a Romênia, seu povo e sua cultura.

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

A revista

Edições anteriores

Blog

Corpo editorial

Nossos artistas

Autores (breve)

Colabore com a Raimundo

Normas para publicação

Contato