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Preâmbulo

Poema avulso de Rogerio Luz

 

O que sou, isto é, o que apresento –
ideias gestos manias –
não sou eu: eu sou
deserto que nem habito
terreno corpo baldio.
De fora, observo a mistura talvez
em mim de timidez e arrogância
e certo ar de um meu irmão
de que portanto tanto divergi.
Dentro de mim ninguém mora
nem mesmo um anjo de rua.
Sou o que tentou misturar
um pouco de tudo e nada
do que não está fora nem dentro
uma casca semente
um núcleo que circula na órbita
de universos desorientados
uma lâmina sem espessura
o cartaz no muro muito depois
do encerramento do espetáculo
e o verso de uma folha
sem frente nem lado.
Antes de ser (ou não) contudo
experimento
um olhar amadurecido sobre as coisas
mas logo me arrependo
porque penso, animal no tempo,
no apodrecimento do fruto.
Então me vejo à escuta
de um som cor de relva sob as coisas do mundo
a imatura canção de todas as infâncias
toda a primeira vez de
limão maçã-verde toranja.

 

 

 

Primavera 2015 / Museu das conversas desencontradas

Rogerio Luz

Rogerio Luz (Rio de Janeiro, 1936), professor aposentado da ECO-UFRJ, tem artigos e livros publicados na área de teoria e crítica da arte. Publicou, ainda, seis coletâneas de poemas. Com a mais recente (Os Nomes. Rio de Janeiro: Circuito, 2014), obteve o prêmio nacional de poesia do Governo de Minas Gerais.

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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