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Imagem: Gerrit A. Beneker / Telephone operator (a weaver of public thought) (1921)

Editorial Um ano de Raimundo! Confetes, serpentinas e emojis de confetes e serpentinas—pessoas fantasiadas de grandes nomes da literatura, eu finalmente realizando meu sonho de andar pela rua vestida de Anna Kariênina zumbi. Mas a ficção é a ficção e a realidade, esse simulacro feito de concreto armado.

Eu moro nessa cidadezinha de cem mil habitantes, perdida no meio do nada, de um estado industrial. É frio pra caralho. Escrevo nessa edição de verão, com as juntas dos dedos inchadas de caminhar a -25ºC, depois de ouvir numa pista de esqui se no Brasil tem cidades. Foi uma pergunta inocente, tadinha, e já nem sei se me chateio mais. Penso nesses exilados sírios que vão ter os bens retidos pela Dinamarca e aí fico chateada. Não querendo ser dramática, mas essas duas histórias – a minha na pista de esqui e a dos refugiados na Europa – são a mesma história, a uma história.

Duas digressões e nenhuma explicação. Pois bem, esta edição da Raimundo foi inspirada em parte na nossa condição— acho que posso falar em nome do Rafael – de exilados, de latino-americanos sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior exilados. Foi inspirada nisso e na incrível fala da Chimamanda Adichie, chamada “O perigo de uma única história”, dada ao TED em 2009.

(clique aqui e leia a íntegra do editorial)

 

Verão 2016

Todos os cantos são o centro de algum lugar

 

Contos curtos

Cavalos marinhos

de Paulliny Gualberto Tort

Ela não desconfiou que, antes do fim da tarde, levaria um tiro à queima-roupa. O rapaz ligou cedo, com a voz embargada, sempre aquela apatia, dizendo que precisavam conversar.

Arrocha

de Michele Santos

Era no arrocha do centrão que se tomava a cerveja da sexta. Quem ia de linha vermelha seguia arriba, quem cambava de ônibus ladeira abaixo.

O comerdor de salivas

de Bruno Galindo Gonçalves

A janela do consultório está aberta outra vez. Maldita insistência. E os cinco minutos de atraso. O doutor faz questão. Os curativos descolam da boca.

Encosta aqui

de Natalia Timerman

A gente tava no cruzamento. Eu, Milin, o Zé, o Jão. A Caiane tava no carro, era a vez dela. A gente juntado, esperando, os mano olhando aqui, olhando lá.

Sem luz

de Baruc Carvalho Martins

Enquanto afastava o fogo de uma pequena coivara, Heleno Ferreira da Silva descobriu que não poderia mais ver. A fumaça que avançava pelo mato seco cintilava em seus olhos miúdos.

Lenora

de Cristiane Tavares

Para Lenora, ser letra é imprimir-se e também apagar-se. Entregar-se aos olhos do outro, receber grifos e riscos: rasura. Doar sentido para quem lê e às suas histórias se misturar.

A estrela mais alumiada do Sertão (mais um conto de Natal)

de Manoel Vicente Neto

Essa história começa com três caboclos ¨magos¨ de fome como diz no sertão,que eram tido como ¨Reis¨ em suas terras ¨Rei dos Bobos¨ no fim do mundo ...

Sede

de Nathalie Lourenço

Que o diabo me perdoe, porque deus não há de perdoar não. Parece que antigamente, todo mundo tomava banho sozinho. Foi em 2018 que acabou de vez a água.

Pequena amostra definitiva de "A infância dos dias"

de Laís Barros Martins

Mandaram plantar cedo demais a menina a ver se germinava. Iam observar aos domingos se lhe cresciam flores e se era bem visitada na companhia de colibris, de canto macio e insistente.

Poemas avulsos

Assobio-onda num rio fundo fantasma

de Zeh Gustavo

Uma paixão perdida em tempo irregular

de Luíza Galvão

Algo como um vazio no coração do que eles achavam que estava acontecendo

de Arthur Bugelli

 

Não-ficção literária

Paradoxo: a circulação de dinheiro e a pulsação dos corações humanos

de Pérola de Souza

– Não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos! – Declara o presidente do Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia do Pará (CREAA-PA), José Leitão de Almeida Viana. – Uuuh! Uuuh! – A plateia vaia. – É uma aberração! – Protesta o deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL/PA) – Ela tenta se justificar como necessária para o crescimento do país, mas é insustentável! – Eeee! Eeee! Muito bem! – Os espectadores aplaudem, aprovam.

Contos longos 

O plágio

Conto de Sara Timóteo

Tudo começou quando a ganância se sobrepôs ao bom senso. Por muito que o negue às outras pessoas e, sobretudo, aos agentes da autoridade, soube na altura – como sei hoje – que ninguém ganha 4.000 euros por mês apenas para permitir que algumas transferências sejam realizadas diariamente na conta bancária de que é titular.

Coletâneas de poemas

O telhado é bem longo e outros poemas

de Natasha Felix

Centauro (on the road & outros andinos)

de Carolina Turboli

Micromundo macrolivro

de Ellen Maria

Coletânea de experimentos feitos na órbita do poema

de Matheus José Mineiro

Do livro desfeito e outras descontinuidades

de Fabíola Weykamp

Song of my ownself & Nebulosa nº 2

de Clarissa Comin

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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