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Song of my ownself & Nebulosa nº 2

Dois poemas de Clarissa Comin

Song of my ownself

Terracota radical, zumbida, passada do ponto

eram uns olhos de enfurecer, se embriagar

uma doidi-ganas-wander-wonderin’ aloud

Pagu estocástica, soi-disant fera austera,

stalinizava mentes e governava com a flor

  

o séquito fremia, especular, ardia nos teus silêncios oraculares

os Deuses d’outrora iam e vinham conferir-te a beleza

auscultar a delicadeza com que destruías tetos medos e chãos

 

já faz tempo mas não há quem esqueça

teus chamados tardios

aos garranchos-trovões

 

fêmea das incertezas

 talvez por isso a destreza

em arrancar sim-nãos

 

não sobrará

                        pedra

                                    sobre

                                               Tebas                                                                             

 

                                               de tuas canções.

* * *

 

Nebulosa nº 2

do jovem estudante de medicinas adaga fura afirma reluz salpica soluções nitrato e cocaína levitando acima das galeras marismas de ponta à cabeça engodo dum estômago vazírrio urrando uníssono “até quando, até como, como?...” do outro lado vários galhos vários troncos mil torcidas mãos dos panos aos olhos ao muco expelido na voracidade do sol aconchega farpas de mica brilhando na fortaleza feita pau à pique erguida a seis palmos do lamarssáltico expelindo pingo d’água murtamada escala treliças episcopais ampara a gota amarga no cantil a voz vindo saciar um solfejo “larilaridáriri” no mesmo dia mesmo enterro segue o trem jovem agitando cuspirando ao passo vento um jorro negro embebe os canteiros de centeio numa falsa delonga e alonga o compasso uma canção infantil milonga trítonos tão ouriços, esquivos feito azul do mar soubesse ainda falar falta que faz três vezes três vezes sei que são babélicos os pensamentos curiosos quando fincam os pés de estalactite no dedão vizinho esvaziando os corpos separa barriga joelho e pé forma lentas compotas inodoras etiquetadas museum für naturkunde num piscar de olhos um par de luas se assanham terra de bispo d. Quejote de la manha y la tradición manda que todo caballero andante tenga un escudero que se chame Tony, Théo, teu amigo mais sincero alcança a estrada depois do caminho confiança maligna sabe sussurrar seguir os conselhos milenares sabelinos d’el rey y buscar nessimenzza estrada nova uma carruagem desconhecida com três alforjes vinho tinto cobalto pãezinhos e um menino discípulo da idade pra ser seu filho agita os braços coça o umbigo do tamanho de um pulmão e mostra ferocidente as gengivas cheias de espaços brancos o tiro saiu pela cobaia e paga a paga de ser só um arpejo violindo escorrendo pelos cornos de um destino nas mãos do pároco nas mãos dum sábio nas mãos dum órgão tecla imensa a nota suplimindo cada pedaço de sim.

 

 

 

Verão 2016 / Todos os cantos são o centro de algum lugar

Clarissa Comin

Mestre em Literatura Brasileira pela UFPR e em Estudos Lusófonos pela Université Lumière Lyon II, professora de francês, tradutora e, atualmente, doutoranda em Literatura Brasileira pela UFPR. Em parceria com Julia Raiz, escreve semanalmente no Totem & Pagu.

 

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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