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Centauro: on the road & outros andinos

Coletânea de poemas de Carolina Turboli

1.
Você fugiu como um pássaro
Escapa do inverno bruto
Santo certo animal

Você soltou os olhos na estrada
Me esqueceu numa nuvem
Trocou três vezes de asa

Em Tiwanaku
Tudo era antigo demais
Os homens eram pássaros

Em qualquer trilho
O mundo frio
E a saudade:
relógio
que norteia

(Dentro de ti
ver o sul)

 

2.
Downhill on the Death Road

Adrenalina subverte vôo de vertigem
A melancolia grita é carne de sacrifício
A delicadeza do cuidado as mãos no guidom
- como punhetas pelas pedras -
Alguns faróis de cachoeira
Desfazem tudo o que finca
A terra cospe no olho a paisagem
Alucina as veias do olho
E o olho é todo o corpo
Livre é lindo
4 horas descendo as dores
Saímos com um CD de fotos
para provar que vivemos
a morte

e um céu só nosso
que foi tecido no olho de dentro
pelo chakra do selim

 

3.
EL MISTI

Arequipa parece limpa
zoológico do centro
da terra

arequipa alta
arequipa moderna
arequipa perigosa
vídeo game vulcânico
branquinho como a neve

seca, a boca se equipa:
sorvetes sopas pílulas
empresários e crianças
uma onda azul afroperuana
um reggaeton de possibilidades
um sole para fechar a boca roxa
de chicha

havia angústia havia prédios
em 2007 havia amor quando
tudo tremeu e foi tão forte
o poderoso bonito e forte
vulcão
o bonito turístico e branco
vulcão

a boca saudosa da água
suada de sol andino
não sabe sofrer
na frente dele

 

4.
Salinista

mijaram nos meus olhos
o amarelo arde como rock
a vista é o único semáforo

dos diamantes salgados
a mente azula marinha
vendo o terceiro sentido
vermelho no olho

o espelho ri do horizonte
(o Salar inventou as nuvens
antes dos Andes inventarem
os incas)

sou eu que fico duplicada
ou meu corpo que é agora
simetria?

no nada
ser tão

 

 

 

Verão 2016 / Todos os cantos são o centro de algum lugar

Carolina Turboli

Carolina é prosadora. Mestre em Literaturas Africanas pela UFRJ, licenciada em Letras, publicou um livro de poemas pela editora Oito e Meio (“Lugarum”, 2014); é co-fundadora do coletivo feminista de poesia DISK MUSA. Compositora, dramaturga (“Tempo de Solidão”, 2014), violeira, cantora: inquieta com a vida.

Sua obra "Lugarum" (Ed. Oito e Meio, 2014) esta disponível em sua página no Facebook.

Páginas da autora

Lugarum: terra poética

Disk Musa

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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