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Coletânea de experimentos feitos na órbita do poema

Coletânea de poemas de Matheus José Mineiro

[ . . . ]

diante desta arquitetura de osso e aço
que ovula estresse,
diante da tecnologia, este metacarpo
que massageia e esmurra,
deito na respiração
lamacenta de um anfíbio
observando a gastronomia da pólvora,
a dependência farmacêutica,
os irregulares ciclos menstruais
e o cabrito desproteinado
na mobilidade urbana.

como reboco de teto
despenco no esôfago
argamassado da cidade
para ser deglutido
por viadutos e avenidas.

nevroses azuis
de um ecossistema digital
que do tupinambá á fibra óptica
dificilmente se depara com a
palavra calma;
este epilético num saguão,
esta luta anti-manicomial,
este cardume de focas
esquivando de um navio pesqueiro,
sílaba paraplégica que sonha
veleiros.

 

* * *
 

[ . . . ]

amamentando com leite de cabra
e ácido súlfurico
essa similaridade
que existe entre este nosso dia-a-dia
e os estilhaços de vidro e alumínio
que rompem uma veia femoral.

sendo que jorrar excesso de determinação
diante de circunstâncias perigosas
te faz uma amazona
que porta síndrome de down
e monta uma égua manga larga
argamassada.

caramujo atravessando o mapa-múndi.

aproximando daquilo
que desentope veias e artérias,
recoloca os ossos da vértebra no lugar,
remonta os andaimes despencados,
remove os destroços da marquise
que desabou,
tonifica os músculos
do operador do martelete
e normaliza o fluxo sanguíneo
do bovino
no corredor deste frigorífico.

 

* * *

 

[ . . . ]

toda manhã nos deparamos
com o sabre enferrujado do esgrimista
e sabemos nitidamente a relação
do cardiologista e do açougueiro
com a região do peitoral;
terreno para toupeira
chapisco para os dedos,
pálpebra de um velho caminhoneiro,
piso para
estes primeiros galopes do século 21,
acolchoado para
os primeiros desabamentos de andaimes.

vejo nossos dias
como uma epiléptica
que se enrola na folha do mapa-múndi
e se contorce toda num azul-teimoso
no chão do hangar.

uma loira transexual
que caminha do terreiro de candomblé
ao arco íris,
uma lésbica que anda de mãos dadas
com a ruiva palavra dimensão;
mãos que sabem da pétala
quanto do gatilho duma escopeta.

 

 

 

Verão 2016 / Todos os cantos são o centro de algum lugar

Matheus José Mineiro

Matheus José, 1988, mineiro da Zona da Mata, autor d’A Cachoeira do Poema Na Fazenda do Seu Astral (2013 – Edição Petrópolis Inc) – Produz artesanalmente e expõe nas ruas e eventos literários a Apologia Poética. Confecciona os fanzines e encadernações; Ô Trem Bão Poesia Com Limão, Galáxia Pupila, Costelinha Com Quiabo e Poesia. Participou da Mostra Poesia Agora – Museu da Língua Portuguesa/SP, Poesia F.C Sesc Campinas/SP, Geringonça/Norte Comum/RJ, Off Flip – Paraty/RJ. Resenhista na Revista Escamandro e HomoLiteratus. Em 2015 foi publicado na Coletânea de Poemas dos Concursos Literários de Viçosa/MG e Presidente Prudente/SP e em outras revistas literárias impressas e eletrônicas do Brasil e de Portugal.

Blog do autor

apologiapoetica.blogspot.com.br

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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