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A estrela mais alumiada do Sertão (mais um conto de Natal)

Conto de Manoel Vicente Neto

Essa história começa com três caboclos ¨magos¨ de fome como diz no sertão, que eram tido como ¨Reis¨ em suas terras ¨Rei dos Bobos¨ no fim do mundo chamado Monteiro porque ficava detrás das serras, ¨Rei do cornos¨ na província chamada Rainha da Borborema¨ no meio do mundo e o ¨Rei dos tolos¨ que reinava nas terras da capitá. Eles tiveram um sonho e avisaram toda a cidade, que ia nascer o menino que ia ser o salvador e tirar o povo da miséria o povo da seca e fazer chover. Nas províncias todos ficaram mangando acreditando ser mais uma palhaçada ou o que eles estavam melados. 

O menino ia nascer lá nas brenhas, onde judas ainda ia perder as botas, lá por Belém e que uma estrela alumiada no sertão ao norte iria guiar, até lá. No sonho os três se encontrariam em Jerusalém. Mas os abestalhados erraram o caminho e foram parar na fazenda Nova Jerusalém em Pernambuco. Na volta passaram por Santa Cruz do Capibaribe em umas das fazendas do coroné Herodes bicho mais ruim da face da terra e logo foram parados pelos jagunços do coroné Herodes que disseram:

—Não se bulam não, que a gente mete em vocês seus amarelos.

Os três explicaram estava seguido a estrela mais alumiada do sertão, onde ia nascer o salvador, o menino herdeiro de todo aquele mundão de terra.

—Que zuada é a ai! — Gritava Herodes, tragam esses doidos para cá.

Coroné Herodes já tava ficou sabendo do fuxico do ¨tᨠmenino que diziam ser o verdadeiro dono das terras (que ele roubou), ficou sabendo do fuxico e ficou invocado como ele não era abestalhado deu uma de doido e convidou os três para comer mata-fome é café e saber aonde quem era esse menino? Fí de quem? Tinha fazenda? Era fi político? Os abigobal contaram tudo.

Herodes fulero como era disse para os três reis magos, pois que alegria quando encontrarem esse menino, traga ele aqui para eu dar um pedaço da minha fazenda e u umas cabeças de gados e para vocês mandou matar três bois para fazer um churrasco vocês só tá os cambitos de mago.

—Vicente, João venha cá seus cabras, bote comida pros jumentos e água e peguem aquele charque e feijão na despensa.

 E os três reis magos seguiram seu caminho sempre seguindo a estrela alumiada e chegaram numa casa de taipa, nem luz tinha, estava lá o pai e mãe sendo alumiados por um lampião de querosene e o menino que acabou de nascer o pai estava todo ancho na única sala o menino deitado em uma rede com a mãe ao lado, era natal e os três reis magos, além de ¨magos¨ eram lisos, mas não fazia desfeita trouxeram presentes para o menino.

Rapadura para lembrar que a vida é doce, mas num é mole não, um chapéu de couro de bode para aguentar o sol forte, cantil feito com couro de bode com água da chuva para lembrar a esperança e o milagre que é a água do céu e ainda fizeram uma vaquinha e deram uma botija não se sabia que tinha ouro com alguns contos de réis, para os tempos difíceis, nóis  já vai puxar o carro disseram os três reis magos

—Já não vão ficar nem pro cafezinho, acabei de passar disse José

A gente tá muito avexado, fica com deus José.

No caminho de volta veio um bicho branco do céu que os três reis magos se benzerem três vezes, mas não era assombração, era um anjo que veio avisá-los para não passar pela fazenda de Herodes, que o Coronel ia mandar os jagunços matar o menino, voltaram no meio do caminho para avisar a José se mandar de Belém, porque o coronel já tá sabendo do leriado que o menino é herdeiro das terras e pro mode a confusão de Joelma e Chimbinha o negócio tava bravo em Belém.

José e Maria pegaram o dinheiro da botija e pegou a primeira rural pra Juazeiro do Norte terra do padim Ciço levando o menino que deram o nome de Jesus e que o padim ia acolhê-los .O coroné Herodes ficou esperando os três reis magos já com uma chibata de couro e mandar aqueles doidos para correr, mas eles não passaram e mandou os jagunços ir atrás e ficou injuriado ao saber que tinha sido engabelado pelos três reis magos.

Então Herodes mandou os jagunços matar todos os moleques buchudos, nascido em na região do Cariri Paraibano e Pajeú, foi menino buchudo morto que não foi brincadeira, faltaram redes na região. Mas Jesus tava vivim da Silva com a proteção do Padim Ciço, junto com seu painho e sua mainha Maria lá em Juazeiro. O coroné Herodes morreu de morte matada por conta de uma cerca. Seu filho agora virou coroné Theodorico ¨O Imperador do Sertão¨ como ficou conhecido lá pelas bandas do Rio Grande do Norte.

De repente chega uma carta para José, Padim Ciço disse que foi um anjo que escreveu e dizia para José e a família para ir embora de Juazeiro e ir para Nazaré na Bahia, pois ainda o filho de Herodes ainda tava lá e podia querer vingança.

Em Nazaré Jesus cresceu como todo menino sadio jogando bola, jogando bila, soltando pipa. E já adulto ele se tornou o famoso, virou rei de verdade, confrontou os coronéis e políticos da região e disse mais não acreditar em políticos que prometam acabar com a fome e com a seca e não trocar seus votos e nem em voto de cabresto.

Essa história poderia até ser verdade ser Jesus tivesse nascido em Belém do Pará. 

 

 

 

Verão 2016 / Todos os cantos são o centro de algum lugar

Manoel Vicente Neto

Manoel Vicente Neto nasceu em Monteiro (Paraíba) em 1985. Escritor, Poeta, Músico. Estudou Letras pela AESA/CESA-Arcoverde-PE, Professor de Português e Inglês, atualmente cursa Jornalismo na Universidade Estadual da Paraíba em Campina Grande onde reside atualmente.

   

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Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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