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O telhado é bem longo e outros poemas

Poemas de Natasha Felix

 

o telhado é bem longo

dentro do elevador
tu bem que me fodia com a
vontade de transtornar o tempo
dizer outras verdades intraduzíveis
enganar a eles todos – gregório, santo agostinho,
dante& a corja inteira & os
pecados são festim em purpurina
se vistos da ótica de uma coragem verde lume
atiçada entre as pernas negras duma mulher
que só quer abrir as pernas negras e só
no soul encontra um jeito de se aprumar
num canto seu sem deixar de perder as estribeiras.
com a pressão não sei se concentrada no
botão do nono andar tu bem
que me fodia com a canção
do tango with lions na cabeça te mostrei
noite passada a janela era longe mas ainda assim
me simpatiza sempre um pouco mais.
dentro do elevador
não tem janela
[poema só trata de óbvios
acontece, aquele teu tremor insistido na pálpebra,
quando a porta arregaça as alturas
do terraço e eu já não sei de
você nem pra que servem as cercas dos hospícios, aquele tremor
me lembrava demais minha mania de escrever romances até o índice
me lembrava demais minha mania de abortar versos no primeiro cytotec.

* * *

 

factual
foi certeiro o tiro foi rigidamente correto
bem no meio do olho do fuzuê
no metrô da sé seis e meia
peritos rearranjam a cena
toda a peripécia dá pinta
de que foi marido corno
atrás do próprio espelho,
velha leonora diz isso mas
tem aqueles casos
de objeto não identificado na pista sabe
não basta adiantar a vontade
de deus ainda atrapalha a vida
dozoutro não sei não sei pode
ser bala perdida mas foi tão certo
o tiro foi tão dentro da expectativa
não sei não sei pode ser só
impressão minha ou esse
giz de marcação lupa autópsia
esse cálculo todo com fita métrica e tudo
do espaço entre o ato e o desfecho essas
suposições o desconforto tudo muito
contraído não sei não sei pode ser
que esse tiro certeiro seja
como o nosso encontro:
nem aconteceu ainda.

 

* * *

 

definição

meus peitos teus peitos
um cover do cash na playlist
de agora em diante as
músicas não existem.
somo um bilhete rasurado
na geladeira
hoje tá lá, amanhã um
ímã de pinguim.
todas as metáforas todas as
cartas de amor são ridículas
pra caralho
mas é que você assim
assumidamente
esparramada em mim mais
parece a visão duma tribo inteira queimando
os panos as espinhas dos peixes
as crianças
e o fogo é o fogo.

 

 

 

Verão 2016 / Todos os cantos são o centro de algum lugar

Natasha Felix

Natasha Felix nasceu em 1996. Nascida em Santos. Mora em São Paulo. Cursa Letras nas horas vagas.

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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