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O plágio

Conto de Sara Timóteo

I.

Tudo começou quando a ganância se sobrepôs ao bom senso. Por muito que o negue às outras pessoas e, sobretudo, aos agentes da autoridade, soube na altura – como sei hoje – que ninguém ganha 4.000 euros por mês apenas para permitir que algumas transferências sejam realizadas diariamente na conta bancária de que é titular. Acreditei então – como acredito hoje – que é sempre possível abandonar algo quando o resultado é menos proveitoso do que o expetável; porém, admito que algumas situações são mais fáceis de gerir do que outras.

Deixemo-nos, entretanto, de delongas. Recebi uma mensagem no meu correio eletrónico pessoal que solicitava a minha máxima atenção para uma oportunidade de emprego que havia surgido numa empresa com sede na Dinamarca. Ora, sucede que este anúncio captou desde logo a minha consideração, dado que existem, imagino eu, inúmeras ligações minhas à Dinamarca: quase nasci lá, tive uma relação amorosa fugaz com um campeão do mundo de patinagem de origem dinamarquesa, sei algumas palavras em dinamarquês e adoro ler os romances policiais dinamarqueses. Se estes motivos se afigurarem ao leitor como meras trivialidades, posso desde já assegurar que o crime sem castigo que se apresenta neste relato assenta em aspectos triviais da vida quotidiana.

Um ordenado de 4.000 Euros para realizar transações bancárias duas vezes por dia afigurou-se-me absurdo. Certamente haveria algo mais a fazer, dado que, de outra forma, todos os pedidos relativos a referências e a certificados de habilitações seriam destituídos de sentido. A minha avó brasileira refletia muito nestes despropósitos da vida e reiterava uma dada ideia. Recordo como envergava a sua teimosia astuta de carioca à guisa de traje mental distintivo de uma pertinácia que a superiorizava face a todas as outras pessoas de mente fraca que perambulavam pela vida. Essa minha preciosa avó, já falecida, era de opinião que todos os cantos começam por ser, algures no processo de imersão na possibilidade de se tornarem cantos, o centro de algum lugar.

No ano letivo então em decurso, eu não tinha a possibilidade de abandonar Portugal. Estava a uma disciplina de terminar o mestrado na área de engenharia informática e, nesse ínterim, talvez pudesse garantir, por mim própria e com o horário de trabalho legitimado pelos meus pares, um ordenado equivalente a esse valor ao fim de alguns anos de carreira.

No entanto, não sou paciente quando surge a ocasião de obter algo de imediato. A verdade é que precisava, nessa altura, de uma atividade profissional com estas características, dado que me tomaria pouco tempo e me permitiria pagar as minhas despesas mensais. Comprometi-me comigo, entretanto, a amealhar um pecúlio para qualquer eventualidade.

Por fim, decidi aproveitar a oportunidade. Pensava amiúde, enquanto percorria de metro a cidade de Lisboa no trajeto de e para o meu local de trabalho, que esta era uma estratégia de lavagem de dinheiro e que decerto seria detetada ao fim de alguns meses. Visualizei um batalhão de pessoas como eu, em Portugal e em todo o mundo, que levavam a cabo várias transações financeiras diárias com finalidades desconhecidas e senti-me parte de um todo assalariado imenso constituído por arraia-miúda dispensável. Sabia – como sei hoje – que seria o primeiro partido prejudicado caso existisse alguma investigação. Poderia ficar sem nada de um momento para o outro.

A partir daí, deixei de me preocupar com o trabalho em si e passei a cismar em artifícios para que os valores transacionados na minha conta bancária não fossem por demais evidentes aos olhos das autoridades fiscais e aduaneiras.

II.

Essa época foi marcada por um novo relacionamento com um amigo. A nossa diferença de idades montava a treze anos e o nosso amor (ou pelo menos foi o que quis crer) remontava, talvez, a tempos mais antigos do que aqueles que experienciávamos. Cruzámo-nos numa disciplina designada como Informática para Arquivos que fui convidada a lecionar.

A primeira vez que me apercebi de um interesse amoroso por parte dele foi quando, muito nervoso, ele me convidou para visitar uma igreja no Largo do Rato (Lisboa). Saímos juntos. Para ser franca, ele pareceu-me banal e algo previsível até ao momento em que fez recurso das pernas compridas de que era dotado para salvar um cão de um homem de aspeto rude que o pontapeava. Nesse momento, apaixonei-me por ele e, nesse mesmo dia, demos o nosso primeiro beijo.

Contudo, este namoro era muito elusivo. A falta de comparência dele aos nossos encontros era notória. Por várias vezes terminei a nossa relação, pois albergava a certeza de não ser apreciada. Nunca me ocorrera que, tal como eu, ele geria uma vida paralela incongruente com a imagem que pretendia transmitir-me. Ambos havíamos criado para nós um mundo onde os esquemas de sobrevivência se constituíam como uma necessidade e não como uma opção.

Só passado um ano experimentámos dormir juntos, pois eu não confiava nele o suficiente para partilhar momentos de vulnerabilidade em conjunto. Também neste domínio não me cativou em particular; havia tido melhores e mais belos amantes do que ele. Então, perguntam-se os leitores, por que motivo permaneci nesta relação? A resposta mais simples é a seguinte: porque o coração me instruía dessa forma. O velho e tolo coração segredava-me que ele era o tal homem com quem eu poderia casar. Poucos meses após esta conclusão, ficámos noivos.

Depois, devido a pressões financeiras e académicas e também porque já só lograva reconhecer no nosso namoro um enfado comum dotado de uma certa beligerância, decidi pôr à prova a nossa relação da pior forma: engravidei. No término da nossa primeira discussão acerca desta gestação inesperada de um bebé deixou-me, com o paradoxo símbolo de anéis de noivado (dois) colocados com reverência no meu anelar. A reverência esfumou-se com o abandono por parte dele.

III.

Eram muitos os sonhos que eu tinha então. O mais premente era o de conseguir dedicar um ano letivo em exclusivo à aprendizagem. Não tinha recursos nem bolsa que o permitissem e, apesar de ganhar os 4.000 Euros por mês (ou 3.300 ou 2.500, mas de qualquer modo uma boa maquia para uma estudante universitária), a disponibilidade financeira revelou-se muito atrativa para pessoas da família e amigos que me pediam isto e aquilo, até que ficava tão destituída de recursos no final do mês quanto no início do mês. Deixar o trabalho da empresa dinamarquesa revelava-se impossível e eu sabia que estava a contribuir para a lavagem de dinheiro oriundo de vários tráficos. Por sorte, e por ter em meu nome várias contas-poupança há anos, algum desse dinheiro era canalizado para as mesmas e só chegou às minhas mãos quando mais precisei, não gerando desconfianças a nível fiscal. Fazia também turnos numa central telefónica erótica, o que me permitia descontar para a Segurança Social e para o IRS. Quanto aos homens que me pagavam, nunca pensei muito neles, pois desde os 14 anos que sustentava os meus quatro irmãos mais novos com qualquer soma de dinheiro que lograsse auferir.

Na altura em que a situação de gravidez surgiu, tinha procurado outro emprego e encontrava-me em formação numa empresa de telecomunicações. No entanto, tudo progredia a passo lento e o ordenado era reduzido. Levava a cabo este esforço por saber que a minha fachada não poderia manter-se num contexto de casamento e também por pressentir a inveja que os rendimentos geravam no meu noivo, que de imediato se indispôs com o patronato da empresa onde trabalhava e com os pais e foi viver para um quartinho na zona do Cais do Sodré cujo valor de renda assumi até regressar a casa dos pais. A situação manteve-se assim durante mais de um ano. Como não trabalhava, ele pôde ter acesso a conferências, seminários e conhecimentos a que eu aspirava. Quando nos reuníamos, após muitas respostas evasivas por parte dele, debatíamos questões filosóficas para as quais eu me encontrava pouco sensibilizada devido ao cansaço.

Nesse Verão, eu inscrevera-me em vários cursos de programação e de hardware para obter uma abordagem mais prática em relação às aulas teóricas do meu curso superior. Na verdade, e com o que ganhava, poderia ter abdicado de ser engenheira informática em qualquer altura; contudo, afiançava-me o instinto que apenas poderia construir uma vida estável no exterior de todos os esquemas mais ou menos legais que, até então, haviam norteado a minha forma de existir.

Os professores tinham conhecimento desta situação de dupla aprendizagem e procuravam ajudar-me a iniciar e a finalizar os meus projetos científicos. Numa das aulas de hardware, travei conhecimento com o Fuade, um moçambicano que me intrigou. Era muçulmano, bebia demais e revelou-se um amante egoísta. Foi dele que engravidei.

IV.

Na altura, desconhecedora da gravidez, resolvi deixar o Fuade e os cursos e prosseguir apenas o curso de formação de formadores. De uma só vez (pensei eu) eliminaria despesas e enfados da minha vida. Fuade não aceitou muito bem a ideia, mas acabou por procurar outras mulheres para satisfazer os seus impulsos físicos.

Retomei a minha relação com o noivo, o ano letivo recomeçou e tudo parecia decorrer em conformidade com os nossos planos. Continuei a sustentar namorado, amigos e familiares e pressentia, no íntimo, que esta placidez representava um sol de pouca dura.

Comecei a pensar que, nítido dentro de mim, vivia um sonho que se assemelhava ao girassol que Alberto Caeiro referira na sua poesia: o de criar coisas belas que ajudassem as pessoas (a matemática, para mim, é a mais bela de todas as artes) e gerar a minha própria família, sem estar dependente destes esquemas de que fazia recurso para assegurar a minha sobrevivência e a de outros. Refletia, por entre a gestação de códigos de programação, que toda esta vida de atribulação constante se resumia a uma ilusão em que mergulhava para me esquecer de mim própria.

Nessa altura, ao passar as noites de sexta para sábado com o meu noivo, comecei a temer o ritmo a que ele vivia e afigurava-se-me avistar já um espetro de doença e de morte sobre a nossa união. Em simultâneo, verifiquei que o meu peito estava maior, que me sentia tonta e que o meu apetite assumia proporções desmesuradas para uma mulher da minha idade. Atribuí a causa ao desgaste provocado pelo exercício de vários papéis sociais ao mesmo tempo.

Num desses dias, resolvi, a conselho de uma amiga, fazer um teste de gravidez. Assim que surgiram as duas barras verticais que indicavam gravidez, o meu pranto não cessou até encontrar uma solução. Nesse mês, o trabalho da Dinamarca desaparecera e, de repente, vira-me apenas com o rendimento da central erótica (cerca de 800 Euros). Após ajudar irmãos e outros familiares, dispunha apenas de 400 Euros líquidos. Essa quantia era insuficiente para levar a cabo qualquer intervenção numa gravidez que já contava com 10 semanas.

 Contatei amigos e amigas e todos me negaram a ajuda de que eu precisava. Todos lamentaram, sem excepção, a situação em que me encontrava. Em desespero, recorri a clientes, que apenas me pagaram aquilo que correspondia aos serviços prestados – o tempo das gratificações e bonificações generosas terminara para uma mulher já com 23 anos e grávida. Deixei de lado o meu orgulho e fiz recurso de conhecimentos ainda mais recuados no tempo. Um desses primeiros homens, que sempre gostara de mim e havia cumprido uma pena de 7 anos por agressão agravada, depositou 60 euros na minha conta bancária. Faltavam 75 euros que a minha amiga de adolescência cujo empréstimo me recusou na antevéspera do dia marcado, obrigando-me a um «serviço extra» no dia anterior à interrupção de gravidez. Jamais esqueci o desamparo em que me encontrei e, quando tudo terminou, fiz questão de me desaguisar com todas as pessoas que me desprezaram e de lhes explicar o motivo em presença. Muitas dessas pessoas, depois de ultrapassado esse episódio, pediram-me ajuda e encontravam-se, de facto, em situações desesperadas, mas eu prestei-lhes a mesma assistência que me haviam prestado: desejei-lhes boa sorte, lamentei com sinceridade a situação e não retirei um cêntimo aos meus fundos pessoais para qualquer que fosse a finalidade do dinheiro que me solicitavam. Tive conhecimento de pelo menos duas mortes devido à minha recusa em disponibilizar fundos para cirurgias urgentes; porém, essas mortes não me demoveram da minha atitude. Senti-me, até, orgulhosa delas – eram os primeiros danos sérios que causava aos que me haviam abandonado à minha sorte.

Hoje, penso que deveria ter adotado a mesma atitude relativamente ao meu noivo.

V.

Recordo-me de me entregar a pensamentos concomitantes tais como: «não posso perder a calma» e «tenho de ser muito inteligente nesta situação».

Fiz contas de cabeça – era uma abacista deste infortúnio. Tinha estado com o meu noivo no dia 28 de julho. Tinha estado com o Fuade no dia 23 de julho. Estivera com um cliente no dia 5 de agosto. O bebé podia ser de qualquer um deles. Para mais, o cliente e o Fuade tinham uma cor de pele café e o meu noivo era descendente de famílias ebúrneas geradas por aristocracias antigas, pelo que era de tom alvíssimo e com olhos verdes, tal como eu.

Iniciei o périplo dos pesadelos até que tudo estivesse resolvido. Sonhava com cenários em que me esvaía em sangue. À medida que as portas se me cerravam, comecei a intuir perseguidores do submundo em cada percurso que fazia. O meu curso de formação de formadores ia de mal a pior.

O meu noivo estava ao corrente da situação e afastou-se de imediato. O filho não podia ser dele, dado que havíamos tomado todas as precauções – no entanto, eu havia tomado as mesmas precauções em todos os contatos sexuais e a verdade é que um deles me engravidara.

Entretanto, recebera a seguinte carta da parte dele, que também não me alertou para o caráter da pessoa com quem insistia em ter uma relação:

«Manuela,

Escrever esta carta não é fácil tal como não é fácil a presente situação; contudo, acho em consciência que a devo escrever para terminar, de uma vez por todas, com o clima de opera buffa em cujos enredos insistes em me tornar participante. Sabes, tal como eu, as condições em que o preservativo não é eficaz. Sabes, tal como eu, que essas condições não se verificaram. Sabes, tal como eu, que a cegonha não existe e que outras teorias fabulosas como a da geração espontânea ou da criação divina já foram postas de parte pelo avanço do conhecimento. Então, porquê toda esta maquinação? Até que ponto pretendes tentar manipular pessoas e consciências?

Disse-te, em carta enviada por e-mail, que prezava a verdade, o companheirismo e a amizade enquanto valores e como sustentáculo da crítica. Expliquei-te, nessa mesma carta, que a paternidade era algo de muito sério e de sagrado para mim sobre o qual não podia pairar a menor sombra de dúvida. Mantenho os meus princípios!

Fui acusado de ser insensível, chantageado com pseudoideias suicidárias, acusado de julgar sem deixar espaço para a defesa. E isto apesar de, tal como já reconheceste, teres dado as tuas voltas. Já to disse e mantenho que me magoaram mais as condições da confissão do que os fatos em si. Os fatos já os conhecia parcialmente, pelo que me referiram, pelo que vi, pelo que registei ao longo do tempo em que a ti me dediquei. Tentei, por várias vezes, acreditar num projeto que, a cada dia que passava, se tornava mais irreal, difuso, cheio dos pontos obscuros criados pelas crises de histeria a cada vez que vias que te encontravas numa contradição, nas palavras meias-ditas, insinuadas, nas tentativas de manipulação sofridas para me tentar levar a ter mau relacionamento com alguns teus colegas precisos, nas birras, caprichos, no permanente jogo do recusar ser confrontada com a realidade simples de que existe um mundo e que esse mundo não encontra o seu eixo, por mais que te custe ouvir isso, na tua pessoa.

Depois veio uma primeira alusão a uma gravidez, o stress do momento, e a tua declaração de que se tratava de falso alarme. Pelos vistos não era tão falso quanto parecia! Perante a aparente acalmia, e apesar de eu te ter dito que a situação não era normal e que merecia ser estudada, uma vez que um tal distúrbio de período poderia ser sintoma de distúrbios hormonais, deparei com uma Manuela aparentemente tranquila, sem preocupações de monta com a situação — curiosa e reveladora contradição com a Manuela de matriz hipocondríaca que sempre tinhas revelado ser. Voltei a perguntar-te e voltei a obter como respostas o não estares grávida e o não te mostrares preocupada.

Entretanto os indícios avolumavam-se: horários que não batiam certo, o aviso de pessoas que te viram, vezes que te ia esperar e não te encontrava vendo-te depois chegar vinda de outra direção ou, quando não te avisava, não te vendo sequer chegar e, finalmente, o dia em que te segui e preferia não o ter feito.

Por cima de tudo tentei passar, o que não significa que não tenha prestado atenção às frases com que, de vez em quando, te ias descaindo e que te iam, a cada passo, denunciando.

Entretanto, tal como sabes, o tempo ia-se escoando e tu ias tentando apanhar na ratoeira aquele que a tua Mãe considerara um dia não ter outros predicados para além de ser “um bom partido”. Deixaste passar todos os prazos e depois deste o alarme com o espalhafato de um desespero pré-fermentado, com uma ânsia de encontrar soluções que terminavam invariavelmente com um bater de portas. De cada vez que procurava saber mais detalhes fechavas o jogo e declaravas não saber onde era e como se chamava a clínica onde dizias ter uma marcação, não sabias o nome do médico que ia fazer a intervenção, nada. Nenhum elemento preciso era fornecido. Nem sequer o tempo de que estavas que, venho agora a saber, aumentou num mês de um dia para o outro. Terá havido algum novo Concílio de Trento e consequente alteração do calendário de que eu não seja sabedor?

Entretanto assistia com espanto a uma transformação do teu meio familiar. A ânsia de me levar a conhecer o teu pai primeiro — nunca antes demonstrara tanto interesse na minha pessoa —, de irmãos modelos bicho papão que um dia te proibiam terminantemente o acesso à Internet para, quase por milagre, passados poucos dias assistirem deambulando à conversa que tínhamos no messenger. Estranhos e oportunos cambiamentos de comportamento.

Manuela, já to disse uma vez e, muito embora não goste de me repetir, sou forçado a fazê-lo. Dizes ser a criança minha e, por todas as razões atrás enunciadas, eu acho que não é possível. Assim sendo, desafio-te:

Deixa nascer que será perfilhado uma vez realizadas análises de ADN que demonstrem a paternidade. Enquanto tal fato se não verificar nunca aceitarei essa pretensa paternidade. Da mesma forma, ficas já avisada que não colhem tentativas do género “Não se deixa nascer uma criança para provar uma teoria”. Tiveste todo o tempo legal para o fazer, mentiste, deixaste correr o tempo, usaste a maternidade como arma de caça. Agora assume as responsabilidades.

Outro elemento que me oferece dúvidas prende-se com o facto de dizeres que, com pouco menos de 10 semanas e sem o auxílio de outros exames, a tua médica se inclina para gémeos. Tem juízo ou tem a bondade de me informar qual a técnica usada pela tua médica para fazer uma tal afirmação.

Uma última nota: tive o cuidado, antes de ir a tua casa, de colocar por escrito todos os meus receios com essa ida. O que daí resultou foi uma espécie de guião de uma história sórdida a que já tinha assistido no passado mas que agora vejo desenrolar-se e onde sou, mau grado meu, interveniente. Curiosamente, e com poucas exceções, as hipóteses nesse escrito vieram a verificar-se. O escrito foi enviado por e-mail, em data anterior à minha ida à Póvoa e encontra-se neste momento, guardado em dois servidores registados. Apenas te digo o seguinte: como quase engenheira informática que és deves conhecer o valor legal dos e-mails.

Até aqui tens visto o noivo terno, civilizado, compreensivo. A partir de agora vais ver o noivo que luta pela diferenciação entre o ser corno e o ser lorpa. Espero por ti que estejas preparada para tal.

Assim sendo, agradecia que deixasses as minhas coisas na São e que só me voltasses a contactar através do Tribunal de Menores quando chegar a altura de proceder à recolha de material para análises.

Sem outro assunto de momento

*******************

Lisboa, 15 de setembro de 2***»

Gorda e redonda (assim me sentia eu), fiz o «serviço extra» e, no dia marcado para a intervenção, a minha amiga de infância, em vez de aparecer porque não podia faltar ao trabalho, enviou-me um ex-namorado para me acompanhar à clínica e surgiu, de rompante, o meu noivo, que insistiu em acompanhar-me também.

O dinheiro não chegou e foi uma das parteiras que me deu 20 euros para adquirir os medicamentos que me manteriam a salvo de uma septicemia. Também não o esqueci.

Depois da intervenção, descobriu-se que tinha um problema de coagulação grave e que só por sorte não perecera às mãos das parteiras. As amigas que me acolheram, mãe e filha, expulsaram-me depois de um dia de descanso e o esforço para regressar a casa precipitou, provavelmente, a hemorragia reveladora deste problema de saúde desconhecido até à data.

Continuei a ouvir o meu coração – e ele sussurrava o nome do meu noivo na escuridão. Desejei-o – e tive-o - de volta.

VI.

Uma semana após a interrupção de gravidez, viajei para o Porto para assistir a um casamento. Vi muito nesse dia. Padeci sobremaneira durante e após essa viagem, que representou um esforço enorme para o meu corpo já fragilizado. Caí em delíquio no leito, doente com uma bronquite. Senti a morte rondar-me. Foi a última vez que vi a minha avó paterna viva e despedi-me dela sem fazer menção da minha intuição a qualquer outro dos meus familiares.

Quando regressámos a Lisboa, o meu noivo informou-me da partida iminente dele para Cabo Verde com o fito de espairecer as ideias durante um mês de trabalho.

Entretanto, a hemorragia permanecia estável e iniciei uma série de exames no Hospital Amadora-Sintra por orientação da minha médica ginecologista. Os hemogramas eram muito desequilibrados. Depressa me cansei de deslocações e despesas e, assim que me senti melhor, abandonei tudo.

Tive de sair de casa porque a minha mãe foi inequívoca nas suas acusações de eu desmerecer a família. Deixei de me preocupar com o meu noivo em Cabo Verde. Desta vez, fui para um quartinho de águas-furtadas e contraí uma nova infecção respiratória que, em breve, se converteu numa pneumonia. Continuei a amá-lo sem que houvesse uma razão para isso. Escrevera-me apenas duas vezes e na última mostrara-se com saudades minhas, mas não as suficientes para me ir visitar ao hospital onde me encontrava internada.

VII.

O Fuade estabeleceu contato telefónico comigo. Contei-lhe tudo o que havia sucedido e informei-o sobre o facto de eu e o meu noivo nos encontrarmos em processo de reconciliação. Despediu-se. Não senti nada. Ele fora o grande empecilho desta fase da minha vida.

A relação foi retomada de um modo gradual. Ainda não me sentia preparada para fazer amor de novo. Para além disso, engendrei uma vingança por tudo aquilo de que as amigas me haviam destituído.

VIII.

Ausência. Chorava com o sangue que teimava em correr entre as minhas pernas. Soluços profundos eram-me arrancados e silenciados à força enquanto me sentava ao computador e revia, palavra a palavra, a tese de uma das minhas clientes. O trabalho da Dinamarca recomeçou a dar frutos e, dotada de maior poder económico, comecei a atrair mais amigos, clientes e homens de novo. Relativizei a relação amorosa e iludi-me com as possibilidades de escolha. Na verdade, não havia nem nunca houve opções para além das que tomei.

Naquele momento, e para não depender de homens pagantes, aceitei revisões de teses e tinha a meu cargo cinco teses, duas de mestrado e duas de licenciatura e uma de doutoramento. No entanto, trabalhava de um modo muito mais lento, pois encontrava-me assaz debilitada pelo choque e pelas afeções respiratórias.

Sentia-me aprisionada num mundo que deixara que me arrebatasse em delírios dos quais sofria as consequências. Era infeliz.

IX.

A ideia de vingança persistia. Contatei as várias pessoas intervenientes no processo traumático de perda voluntária do meu bebé e interrompi as relações que, até então, mantivera com elas. Encontrava-se apenas uma pessoa em falta: o meu noivo.

Persuadira-me de que o amor era mais forte do que a raiva. Contudo, por vezes, a tentação de exercer essa raiva revelava-se mais forte do que eu. O meu primeiro gesto consistiu em reduzir a «mesada» do meu noivo para 250 euros mensais com o pretexto de que, por motivos familiares, não poderia ajudá-lo mais. Ele mostrou-se chocado pelo facto de eu ter reduzido a «mesada» dele para um quarto do que auferia antes (incluindo no período em que nos encontrávamos separados, à excepção do mês em que levei a cabo a intervenção cirúrgica). Alberguei pensamentos mesquinhos, como por exemplo, o de que lhe sobraria menos para sustentar as drogas ‘leves’ que ele consumia quando eu não estava presente. A partir de então, ele saberia, como eu, o que era perder amigos habituados à prosperidade que ele aparentava ter. Talvez até se tornasse necessário que ele fosse ganhar algum sustento.

Mais uma vez, acreditei que o abandono parcial de algo que se estava a revelar menos proveitoso do que aquilo que eu houvera anelado para mim ser-me-ia vantajoso.

Não foi isso o que sucedeu. Após uma pouco convicta tentativa de se tornar útil na Fundação XS como arquivista, o meu noivo optou por uma estratégia diferida conhecida como: «sacar o mais possível ao maior número de pessoas possível no menor intervalo possível de tempo». Em primeiro lugar, começou a pedir-me para tomar parte nos trabalhos particulares que eu fazia. Em segundo lugar, procurou outras fontes de rendimento (ou seja, outras mulheres), mantendo várias relações paralelas à nossa. Por fim, como foi dispensado dos trabalhos de tese por não cumprir prazos ou indicações precisas no que se refere ao conteúdo das mesmas, suplicou – e, por fim, exigiu – que a «mesada» fosse retomada.

Antes de adormecer, o meu coração continuava a murmurar o nome dele. Eu debatia-me, todas as noites, com uma solidão que me exasperava e esta minha obsessão poderia ser interpretada como uma maneira de ultrapassar o horror do que me havia acontecido.

Compreendia na perfeição o quanto seria necessário fingir e submeter-me para manter o meu noivo satisfeito e numa posição de maior respeito aparente no que se referia à minha pessoa; mas algo em mim, talvez a sobrevivente empedernida dos dias sem esperança, se recusava a desempenhar esse papel. Bem sabia que não constituía uma companhia muito divertida ao manifestar de um modo aberto a mágoa e o desapontamento que tomavam conta do meu ser, mas poderia proceder de outra forma?

Pensava amiúde no que sucederia se sucumbisse à hemorragia ou a uma das inúmeras infeções respiratórias que desde a altura do abandono por parte dele não cessava de contrair. A negligência do meu noivo era-me muito dolorosa de suportar. Desconheço por completo o que me conduziu a esta relação e o que me manteve nela durante três anos.

X.

O meu noivo pedira um tempo para repensar a nossa relação, uma vez que estava quase certo de que o que sentia por mim era mais desejo do que amor e que não estava pronto para prescindir de tudo por mim. Nessa altura, percecionei com nitidez a face de uma outra mulher, mais velha do que os meus 24 anos e mais abonada em termos económicos, talvez casada, que lhe exigia exclusividade. No entanto, e como a «mesada» era profícua, ele manteve-me em suspenso de uma decisão final enquanto eu me arrepelava e chorava à noite sem que o meu pranto alguma vez constituísse motivo de interesse para alguém. Ninguém veio salvar-me ou perguntar-me, sequer, do que se tratava. Bem sei que o meu choro era audível, mas apenas o meu dinheiro ao final do mês era alvo de especulação. Ele aconselhara-me a olhar em frente. Fiz o que sabia fazer melhor: ganhar dinheiro.

Para além do trabalho oriundo da Dinamarca, encontrara dois esquemas parecidos em Portugal, desta feita com clientes dos casinos de Lisboa e Estoril. Eu transferia o dinheiro para a minha conta e procedia ao levantamento em dinheiro a partir dela e uma parte do valor (10%) ficava, desde logo, retida na minha conta como comissão por este pequeno serviço. Dado que pretendia terminar o mestrado e trabalhava cerca de 14 horas por dia sem folgas semanais, saía o menos possível. Quando era inevitável a minha exposição, envergava roupa muito cara e discreta, de modo a estar à altura dos clientes. Com estes dois esquemas e os trabalhos de revisão de tese, tratamento de dados, explicações e reparação de computadores que passei a aceitar, aumentei o meu rendimento mensal para cerca de 6.000 Euros e a «mesada» integral do meu noivo foi reposta, na esperança de que ele voltasse para mim.

Talvez pelo fato de se congratular interiormente por causa desta «mesada», o meu noivo nunca se atreveu a afrontar-me em público. No entanto, havia quem o seguisse e me relatasse os encontros que ele tinha com outras mulheres. Chegou a ter onze mulheres para além de mim e a todas elas, mais ou menos, extorquia valores entre os 250 euros e os 3.000 euros por mês. Tal como eu, ele procurava um futuro. Apercebi-me de que ele geria o tempo em função do rendimento e que, neste aspeto, eu representava uma fonte de rendimento de interesse intermédio. De modo a comprovar a minha teoria, aumentei a «mesada» dele para 3.500 euros. Após muitos protestos iniciais devido ao facto de eu aumentar a «mesada» em altura de separação e de não estar comigo devido ao dinheiro, ele passou a dedicar muito do seu tempo à nossa relação, mantendo as outras relações mais fugazes em banho-maria. Ter-lhes-á pedido, a essas mulheres sem rosto e abastadas, um tempo, como me pedira a mim. Talvez houvesse reforçado a ideia desta luta desigual entre o amor e o desejo.

Sob a aparência cavalheiresca, o meu noivo era um feroz sobrevivente. Esse era um traço de personalidade que partilhávamos.

XI.

Iniciei um novo período de ruminação de vinganças. Dava por mim em debates constantes: quanto poderíamos odiar e amar uma pessoa? Não me parecia que o ódio fosse proporcional ao amor que sentia nem o inverso. Tudo estava dependente da disposição mais ou menos cinzenta dos dias ou da quantidade de clientes que tivesse de satisfazer para manter a «mesada» dele. Creio que ele sempre soube quais as minhas principais fontes de rendimento. Por vezes, dizia estar orgulhoso da minha tenacidade e talento para os negócios.

Para mim, jamais se apagaria a memória daqueles dias e noites em que não era eu, mas uma outra mulher quem emergia das sombras e que amava a Lua mais do que o Sol, sem deixar de amar o Sol. Parecia-me que não me libertaria da memória de tudo o que era negro e lodoso, espesso e frio – tudo o que se acoitava em mim e me sugava, agarrado à minha nuca. Nunca me libertaria das noites insones e vazias em que procurava vencer quem tanto mal me fazia e olvidava que quem mais próximo estava era quem mais mal me desejava.

O meu noivo apercebera-se da minha taciturnidade e engendrara um galanteio com recurso ao símbolo da Larousse. Na perspetiva do homem que dizia amar-me, eu era semelhante ao saco de sementes porque era bela e perfeita na minha constituição, frágil na consolidação, caprichosa como o destino e enriquecedora por via do contacto.

Gostei deste galanteio. Deitámo-nos num hotel afamado na Baixa de Lisboa e chorei muito antes de me entregar de novo ao meu carrasco amoroso. Sentia medo, ódio e repulsa. Descobri que não sentia qualquer amor por ele. A nossa relação chegara ao fim. Era tempo de encenar o futuro com o fito de fugir à felicidade convencional que, adivinhava, me enlearia em tons irreversíveis de mágoa. Por fim, eu estava preparada para fazer o que há tanto tempo congeminava em relação ao meu noivo. Nessa mesma noite, sondei o meu coração: nenhuma sílaba perturbava a sede de existir.

Libertara-me do meu jugo.

XII.

Parti para Castelo Branco. Aceitara um estágio na minha área: engenharia informática. Lá, o pundonor limitava-me exteriormente aos rendimentos auferidos no local de trabalho. Abandonei por completo os clientes em Lisboa e também me desfiz dos trabalhos relacionados com teses. No entanto, retive o trabalho originário da Dinamarca. Estava por minha própria conta em espaço urbano albicastrense. Lançava pez das ameias do meu ser longe de tudo e de todos – encontrava-me fora do alcance dele e, sem estratagemas a gizar de imediato, podia entregar-me a pensamentos sobre o futuro que ambos pretendíamos moldar em conjunto. Congratulei-me por já não viver asfixiada pelo medo de o perder.

No dia do meu aniversário, no entanto, anunciámos o noivado aos meus pais e irmãos.

Passados alguns dias, ele apareceu de improviso na minha casa em Castelo Branco e coabitámos durante uma semana.

Depois da partida dele, comecei a considerar a possibilidade de terminarmos a relação. O trabalho proveniente da Dinamarca reduzia o volume de negócio de dia para dia e não tinha condições de lhe outorgar a mesma «mesada». Tratava-se de uma despesa injustificada que poderia ser canalizada para uma casa melhor – e este era apenas um entre outros objetivos louváveis.

Perdida por entre escolhos desta relação sem sentido e sem significado, recordava-me de um tempo de inocência e sabedoria que persistiam algures dentro de mim. Os meus pés em fogo pisavam, ainda, as montanhas sagradas; os meus pés alados debruçavam-se sobre o espraiar dos bosques em direcção a um horizonte argênteo de felicidade. Toda eu era uma festa fluida e cantante de água límpida. Em mim, existia a tenacidade da «menina d’ouro» que um dia fora, bem como um lampejo de clareza indefinível a outros olhos e que me permitia abarcar, num único olhar, toda a natureza de uma dada situação.

Entretanto, o meu noivo pediu-me, de novo, um tempo para repensar a relação.

Recomecei a receber clientes quando vinha a Lisboa nos fins-de-semana para me manter em condições de aumentar a «mesada» dele, se tal se revelasse necessário. Tratava-se de cumprir a máxima de me manter a par da concorrência.

XIII.

Foi nesta altura que uma das minhas clientes teve a sua nota final anulada devido à denúncia por parte de alguém de que não teria sido ela a realizar o exame de estatística descritiva. A Polícia Judiciária acossou-a e, por seu turno, ela exerceu os seus direitos sobre mim e tornou-se necessário providenciar uma nova «mesada» de 1.000 Euros mensais até que lobrigasse uma novel oportunidade de emprego digna de alguém com os seus méritos e capacidades. Contudo, esta empregabilidade jamais se concretizou, dado que ocorreu um acidente de viação que se revelou fatal para ela numa das calhetas da Ilha da Madeira onde, na altura, veraneava com um grupo de amigas.

O inverno acercou-se de Castelo Branco de rompante. Num dia, estava calor e noutro, os desumidificadores do local onde estagiava congelaram. Sentia muito frio dentro de casa. Não dispunha de aquecedor no quarto e repousava com apenas uma manta por cima de lençóis polares. Por vezes (e esta situação nunca a reproduzi verbalmente) tinha tal febre devido ao frio que errava pela casa a falar sozinha e em voz alta. Delirava, tremia e nem os alhos que comia crus e às mãos-cheias me traziam refrigério. Os médicos do centro de saúde não me atendiam, dado que a minha residência era muito longe de terras albicastrenses.

Nessa altura, apenas a voragem do sono (e de qualquer coisa mais do que o sono) me aliviava. O frio impunha-se-me como uma entidade exterior e dotada de intenções que em nada se relacionavam com a minha vontade de sobreviver.

Em pouco mais pensava do que em subsistir por mais um dia, quando o meu noivo anunciou que necessitava de um tempo, dado que se defrontava com um mundo que o mantinha refém de um rumo incerto. Procurei não me comportar como a conquistadora que sabia ser e rechacei de imediato as crises de violência e hesitação por parte dele.

Em resposta, ele rompeu o noivado comigo.

Tudo me parecia ter desabado sobre as esperanças que havia construído para o meu futuro.

XIV.

Dez anos depois, a vingança tornou-se-me possível de um modo que nunca imaginara.

Nunca mais nos víramos pessoalmente.

Soube que morrera devido a um linfoma. Extinguira-se-lhe toda a família, dado que dois anos antes presenciara a morte do pai e da mãe pelo mesmo motivo. O irmão suicidara-se.

Há bastos anos que dispunha da informação constante no disco rígido dos computadores que ele utilizava para comunicar com o mundo exterior. Ele escrevia.

Foi a medo que enviei o primeiro texto da autoria dele para um concurso literário. Agora uma engenheira informática bem estabelecida e para quem os dias de homens pagantes, dos trabalhos oriundos da Dinamarca e dos esquemas relacionados com casinos faziam parte de um álbum de recordações perniciosas, divertia-me perpetrar aquela pequena maldade sobre um morto. Desde aí, não cesso de ganhar dinheiro e prémios relacionados com a minha recém-descoberta vocação para as letras. Concedi entrevistas às principais redes televisivas portuguesas e africanas. Tomo parte de júris de prémios e concursos literários. Sou uma revelação. Já contabilizei quase 500 textos inéditos. Com uma cuidadosa gestão de recursos, certamente conseguirei usufruir de muitas alegrias ao longo dos próximos anos, pois o plágio, ao contrário do homem, não me desiludirá.

 

 

 

 

Verão 2016 / Todos os cantos são o centro de algum lugar

Sara Timóteo

Sara Timóteo nasceu em Torres Vedras e reside na Póvoa de Santa Iria há 28 anos. Especializou-se em Jornalismo/Economia Internacional e pós-graduou-se em Ciências Documentais (opção arquivo), tendo já exercido as profissões de arquivista e de técnica de biblioteca.

Tem sete livros publicados em Portugal e três nos Estados Unidos. Encontram-se em preparação três projetos de não-ficção que espera publicar entre 2015 e 2016. Os contos destinados ao público infanto-juvenil encontram-se em fase de ilustração para futura publicação. Tem participado em várias antologias e colectâneas pelo incentivo que constituem e pelas perspetivas inovadoras que oferecem como resultado desse desafio de escrita em torno de um tema específico.

Prepara a tese de mestrado em Teoria da Literatura acerca do conceito de morte do autor em Stephen King. Abraçou o atletismo há quase três anos e participa com regularidade em corridas de fundo.

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

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