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BOLHAS-plástico

Poema avulso de Julie Fank

somos bolhas-plástico,

                        damas primeiro

ou, primeiramente, FLORA

                                             F

                                              A

                                               U

                                                 N

                                                   A monta desmonta conta desconta a ponta

                                                     guarda-roupa INTEIRO em gavetas vetas VETA VETO o VOTO [de] voto [de] volta votada voltada para o sol que evito

                                                                                              EVITA

                                                                                              VITA, VISTA, REVISTA, DESVISTA a roupa da capa da [

 

>>>>>>>>>>> SOMOS FLAUTA MUDA FÁLICA

~até a constituição é uma mulher machista~

Barrigaefilho não são a única aposta

a gente é dia mas em estado de constante anoitecimento forjado

a luz que se apaga. a ADAGA. sempre a postos. Apostas. Alada. AFAGA. A espada.

                                                                                     e a faca que FALHA e aprendeu a falar.

Somos punhal feito de gasolina e camomila, inventário de abusos ranqueados por grau de parentesco prestes a tirar a prova dos nove

polianaocasionalmenteotimista porque sobrevivência

fita duplaface,

deslizamos para dentro da possibilidade de dizer não

quase dizendo sim

pra mim

para você

bem.

 

SOMOS duplocromossomo X QUE QUER SER ÍPSILON, mas não porque quer.

e precisa ser Y e se disfarça de Y e é isso que na verdade é o X

MULHER

uma incógnita genética duplametademente apagada pelo Y

prédio fincado no que é casa. Mulher é casa. Casa em festa.

Enfesta-se. Enfeia. Fêmea. Alheia. Leia. Peita. Suspeita.

SUSPENSA,

leio, toco, boto, loto, ocupo o COLO

Des [colo

LUTO [resoluta

Puta culta pode? Substitua frígida por FRIDA.

Mulher é desdobrável, né, Adélia?

Des

Pen

Ca

Mos em PENCA

 

É COMEÇO DE PRIMAVERA

mas é como se ainda estivéssemos preparando a queima de sutiãs

somos letra escarlate todos os meses

vento em pote vendido como se fosse vagalume de estimação

 

somos melodia, poema, novela, novelo

somos feitas de lã porque verão

segura este peito para dentro do seu topless

eu, uma cidade inteira, nós um desatamento de janelas

FECHADAS

        até ontem

fosse um homem a narrar seríamos invisíveis

fosse Luci, seríamos sonoras, eu Ofélia, ele se ofende

 

somos maiúsculas, metamórficas, fóticas, fotogênicas

contra o gene social

a gênese social

Somos carne, mas temos sido náusea

Figurino forjado para sobreviver aos enjoos

Palavra enlatada na VOZ, VOZ enlatada na garganta. ENLATADA. ENLUTADA. LUTA DA.

ATADA. À LUTA. Todas estamos.

Gritar alto não é tautologia para quem BERRA em silêncio.

 

Rasgamos o plástico, a bolha estourou

Damas primeiro

Mas primeiramente,

FLORA [

 

 

 

Inverno-Primavera 2016 / Edição RaimundA

Julie Fank

...

 

 

 

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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