Início          Edição atual          Edições anteriores          Blog          Corpo editorial          Normas para publicação          Quem somos?          Contato         

 

Cuerpos/Corpos

Coletânea de poemas de Maria Auxiliadora Alvarez / Tradução de Ellen Maria Vasconsellos (versão bilíngue)

4
usted nunca ha parido
no conoce
el filo de los machetes
no ha sentido
las culebras de río
nunca ha bailado
en un charco de sangre querida
doctor
NO META LA MANO TAN ADENTRO
que ahí tengo los machetes
que tengo una niña dormida
y usted nunca ha pasado
una noche en la culebra
usted no conoce el río

4
você nunca pariu
não conhece
o fio das navalhas
não sentiu
as cobras de rio
nunca dançou
numa poça de sangue querido
doutor
NÃO ENFIA A MÃO TÃO DENTRO
que aí tenho as navalhas
que tenho uma menina dormida
e você nunca passou
uma noite na cobra
você não conhece o rio

* * *

 

5
sala de parto
MOSAICOS RESES CUCHILLOS
cocina que desuella sin anestesia porque su dueño se lava con
ella el órgano tibio por si acaso cauteriza su conducto lácteo se
ríe cerebral enjuaga sus nervios sensitivos duerme
lejos
de los colchones plásticos
amnióticos
sangrientos
de la hilera
panza bonete libro cuajar rajar sacar
el relleno
ordenar los mosaicos
cose

5
sala de parto
MOSAICOS CARNES BISTURIS
cozinha que despela sem anestesia porque seu dono se lava com
ela o órgão morno pelas dúvidas cauteriza seu conduto lácteo e
ri cerebral enxagua seus nervos sensitivos dorme
longe
dos colchões plásticos
amnióticos
sangrentos
da fileira
pança retículo livro coalhar rachar sacar
o recheio
ordenar os mosaicos
costura

* * *

 

9
mamá es un animal negro
manso
extenso
huele
a aguas estancadas
cría
batracios dulces
en las encías
no come
no duerme
no ríe
es un espacio oscuro
que recorro con la lengua
y me sabe a semen
a sangre
a agua de renacuajo

mamá es un animal quieto
amarrado
hinchado
habitual
muerto

9
mamãe é um animal negro
manso
extenso
cheira
a águas estancadas
cria
doces anuros
nas gengivas
não come
não dorme
não ri
é um espaço escuro
que recorro com a língua
e tem gosto de sêmen
de sangue
de água de girino

mamãe é um animal quieto
amarrado
inchado
habitual
morto

* * *

 

10
procreo
en lugar seguro
segrego
el líquido adecuado
espero
las larvas
entre los cartílagos
de los toros tibios
deposito sus tendones
en la boca de mi hija
todos los mediodías
digieres
vértebra y vena
y te ríes
me quieres sólo a mí
porque te gusta este olor
y esta temperatura
que conservo en cada ciclo
como debe ser
te miro
el esófago largo
dirigiendo
la instancia
y te ríes
me halas el pelo
y los huesos de la cara
buscando los alvéolos
del fluido medular
renuevo
la quietud
del fémur
en las cavidades tibias
prosigo
en los cartílagos
el rito de la extracción
emerjo
fehaciente
y espero
el mediodía sonoro visceral

10
procrio
em lugar seguro
segrego
o líquido adequado
espero
as larvas
entre as cartilagens
dos touros mornos
deposito seus tendões
na boca de minha filha
todos os meio dias
você digere
vértebra e veia
e ri
gosta de mim só de mim
porque gosta deste odor
e desta temperatura
que conservo em cada ciclo
como deve ser
te vejo
o esôfago engrandecido
dirigindo
a instância
e ri
me puxa o cabelo
e os ossos da cara
buscando os alvéolos
do fluído medular
renovo
a quietude
do fêmur
nas cavidades mornas
prossigo
nas cartilagens
o ritual de extração
emirjo
fidedigna
e espero
o meio dia sonoro visceral

* * *

 

11
conozco
el tiempo de cocción de las legumbres
las verrugas de las ratas
la importancia de ser la hembra
lo tácito de la procreación
me detengo
en el genital y el alimento
cada día
y recibo de ellos una vida
y una muerte
renovables
y voy desarrollando
un acercamiento
de maxilar de culebra
y voy desarrollando
un sabor sicópata
en la lengua
mientras juego con la basura
y los excrementos
de mi hija
a ella le enseño
la propiedad afectiva
de los dementes
y los mamíferos diarios
muertos en la cocina

11
conheço
o tempo de cocção dos legumes
as verrugas das ratazanas
a importância de ser a fêmea
o tácito da procriação
me detenho
no genital e no alimento
cada dia
e recebo deles uma vida
e uma morte
renováveis
e vou desenvolvendo
uma aproximação
do maxilar da cobra
e vou desenvolvendo
um sabor psicopata
na língua
enquanto brinco com o lixo
e os excrementos
da minha filha
a ela ensino
a propriedade afetiva
dos dementes
e os mamíferos diários
mortos na cozinha

 

 

 

 

 

Inverno-Primavera 2016 / Edição RaimundA

Maria Auxiliadora Alvarez

(Caracas, 1956). Estudió Letras Hispánicas en Estados Unidos y Artes Plásticas en Colombia y Venezuela. Ha dado clases en Miami University (Ohio), University of Illinois y UNAM (México). Ha hecho crítica literaria y cultural, y ha expuesto en diferentes ocasiones su trabajo plástico. Ha publicado los libros de poemas: Cuerpo (1985), Ca(z)a (1990), Inmóvil (1996), Pompeya (2003), El eterno aprendiz y Resplandor (2006), entre varios. También ha recibido el Premio de Poesía del Consejo Municipal de Cali (Colombia, 1974), el Premio Fundarte de Poesía (Caracas, 1990), y el Internacional Award María Pia Gratton (USA, 1999).

Ellen Maria Vasconcellos

Ellen Maria Vasconcellos é autora do livro de poemas Chacharitas & gambuzinos, publicado bilíngue pela Editora Patuá (2015). É tradutora de poetas contemporâneos da América. Seus principais trabalhos são o livro Ângulo de guinada (e-galáxia , 2015), do autor Ben Lerner, e do livro Minha vida é um limão, por favor devolvam meu dinheiro (ed. Ramalhete , 2016), do autor argentino Agustín Arosteguy.

Página da autora

ellenmartins.wixsite.com

 

 

 

 

 

 

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

A revista

Edições anteriores

Blog

Corpo editorial

Nossos artistas

Autores (breve)

Colabore com a Raimundo

Normas para publicação

Contato