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Aos homens que usam alguns gramas de analgésico para fingir uma ilusão

Poema avulso de Marcela Maria Azevedo

 

que colocam os quadros de família no centro da sala de estar
junto de almofadas importadas e tapetes carregados com a poeira do século
falam com as bocas cheias de nunca peço desculpas
e derramam gordura nas toalhas de mesa de suas mães

a vocês
que nos tiram a presidência
os ministérios
os peitos caídos
as bundas murchas
e o nosso envelhecer

eu ainda uso as mesmas roupas
aqueles farrapos históricos que sobraram dos anos 80
cheios de rostos que são como cemitérios

a sua dor de cabeça vem do centro de sua mãe
e ela dói como dói uma mulher
por sermos diariamente extintas
e tiranossauras

 

 

 

Inverno-Primavera 2016 / Edição RaimundA

Marcela Maria Azevedo

Marcela Maria Azevedo é Pernambucana, nascida em Petrolina, mas radicada em Belém/PA. É mestre em Psicologia, estuda Psicanálise e é absolutamente entregue aos mistérios da poesia – ou aos caminhos (im)possíveis de um papel em branco. Influenciada, entre tantos fabulosos poetas, pelas vozes femininas que ressoam na poesia contemporânea, está finalmente preparando o material para publicação de seu primeiro livro: todas as mães são tiranossauras.

 

 

 

 

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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