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Para amanhã e outros poemas avulsos

Coletânea de poemas de Mariana Paim

 

Haicai ou quase

Uma palavra
também
se diz
gasta

*

Se eu me suicidasse
seria uma nova
figura de linguagem
ou um erro
de sintaxe

*

Quantos
S.O.S.
cabem
em todos esses
nós

*

Seca a silaba
cega a seta
chega a meta

*

As palavras são
minha antítese
metaforizo
porque é necessário
[des] escrever o indizível

*

O que eu escrevo não me define
nem o que vejo
o que sou?
um grito preso
sem palavras...

*

A palavra
Pusilânime
Mutua
Fluxo
Que pulsa

*

À maneira de Baudelaire
componho retratos
figuro palavras
e dilacero
como paisagem

*

Toda essa distancia não poderia ser sentida
[entre
Dois versos

*

Atravesso a auto estrada
1:00 a.m.
estanco
diante da tua porta o coração segue
na contra mão

*

E essa conversa entre nós?
- Um deglutir de espelhos
Silencia-se a voz.
Não me vejo,
Te versejo

*

E mesmo que não fosse
tanto
tão pouco
ainda seria
muito
[Do AM/OR, apócrifo de Paulo L.]

*

Um movimento de mãos palavras
deslizam em frente a meus olhos mas não
se dizem ou não
me movo
de mim

 

* * *

 

As Anas

Tenho uma noite à minha espera
e nenhum mudo convite

à espera
espera que
em minha cama [nem branca ou limpa]
teu corpo possa
amanhecer
manhãs

 

* * *

 

Para amanhã

Para amanhã
resolver
quando vou começar a encarar
de frente tudo
o que deixo
Para amanhã
ainda sei que vou
tomar um pouco desse café
passado

 

* * *

 

Pensa poder dizer

Pensa poder dizer: a distância é uma cartografia inventada;
e espera tentar remover as lembranças
entre uma e outra palavra
que poderá ser lida
ou talvez não
saudade,
                                                                                          só

 

 

 

Inverno-Primavera 2016 / Edição RaimundA

Mariana Paim

Mariana Paim nasceu no município de Tanquinho-BA no ano de 1986, sob o signo de capricórnio. É licenciada em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana e mestre em Estudos Literários pela mesma instituição. Atualmente dedica-se ao magistério, a pesquisa literária, principalmente sobre a temática do homoerotismo feminino presente na obra de Cassandra Rios e a escrita literária, mas flerta também com outras linguagens artísticas. Publicou poemas nas antologias Cidade (DiaboA4 Editora, 2013); Arcos de Mercúrio (DiaboA4 Editora, 2015) e Rosa Rubiginosa (Alpaca Press, 2016), esta trabalhando na produção de seu primeiro livro-objeto artesanal, Ausência (edição da autora) e publica ocasionalmente na página https://medium.com/@marianapaim.

 

 

 

 

 

 

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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