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Mi dificultad de mirarte os olhos

Coletânea de poemas de Paola Santi Kremer

armo uma cara
pra poder mirarte os olhos
e igual me siento desnuda

desnuda en el frío,
distorcionada,
no desnuda bella
bajo el sol.

te miro com máscara y sem roupa
pero no te veo:
sos árbol centenario,
sos el propio mar,
uma nuvem gigante
tão leve,
tão grave,
serena astronave que corta
o ar
e voa atravessando o tempo
sin apuro
duro
como a palavra no
muro
que é o medo do teu não e que me faz olhar pra esquerda
que me faz treinar com o panadeiro:
lo miro fijamente
perfuro o negro de sus ojos,
chego al centro
de su cabeza
veo el fuego de la tierra
enquanto pido medialunas.

en vano vuelo
no puedo,
no te puedo mirar os olhos.

* * *

abre sus alas y cresce.
cresce mi pecho como en luna llena
respira hondo
el ave que vive adentro de mi.

prepara seu grito
cheio
que espanta o medo
que antecede
el vuelo
de mi cuerpo
puro cuerpo
salvaje,
mío,
mi propio cuerpo.
que abre sus alas
y espanta
el miedo
de esos tigres
que me matan
con los ojos
que me arañan
con sus voces
que me comen
con sus dientes.

abre sus alas,
el ave que vive adentro de mi pecho.
abre sus alas azules y auye todo,
todos.
respiro hondo
y me llena de aire morno
mientras alza vuelo en mí
respiro hondo y el viento
alza vuelo,
hondo,
adentro de mi cuerpo.

* * *

eu fluía pelas ruas
o pensamento não.
sacana,
apertado,
girava e girava em espiral
como uma escada infinita
que só desce.

aqui eu já não vejo as árvores,
elas sempre estiveram ali.
será que o lugar onde eu sou eu,
e não um clone feito dos meus restos,
eco,
fantasma de mim,
é o lugar onde a cidade não existe?
o lugar em que eu sou a cidade,
e por isso não a vejo?
não a vejo como não percebo as minhas mãos
como nunca vou ver os meus olhos
sem algo que os aponte.

quando esvaziei minha bexiga,
um vento seco bateu violento.
quando o sol mostrou um par de coisas que são vida,
um vento seco soprou suave
no deserto dentro do meu peito.
desde que abriu um buraco
e mais um
e mais um
e mais um
vento seco entrou e não saiu
de onde não existe sede,
onde canta grita uiva
o oco
do côco
do teco
da tôca
da boca
do peito
cheiro doce vira coice
no deserto dentro do meu peito
onde a beleza ri da solidão:
tola loba boba! Há-há-há!
sono e nenhuma sede.
um filme sobre um urso
e a leveza impossível
do vento
seco
no deserto
dentro
do meu peito.

* * *

Branca,
branca a tua pele,
mais branca que o amanhecer de um dia nublado.

Branca,
branca aquela manhã de beijos nuvens.
A lembrança
é turva
e branca,
como a luz que tocava o meu corpo.

Doce,
como nenhum homem de botas pretas pode ser.
doce cada toque das tuas mãos,
cada beijo,
cada palavra,
doce teu olhar.
uma manhã de sonho branco
e todos os outros dias desde então,
são delírio.

Longe,
de longe sonho em te encontrar
em te amar durante toda uma vida,
me pergunto
se eu engravidasse
tu pedirias pra eu abortar.

Deliro,
se eu estudaria na escrivaninha da tua casa,
conheceria teus pais numa casa amarela no interior,
se tomariamos chá e tua mae me aprovaria
e se tu te apaixonasse por outra,
hoje,
amanhã, ou nos proximos anos
e da lua eu caísse,
do sonho mais branco
de uma manhã com os teus labios,
tuas mãos,
teu olhar,
tua palavra.

* * *

ya sospechaba
que el tiempo
venía del cielo.
no se cansará de su viaje infinito?

espero tomando mate
como si el agua caliente
que baja por mi cuerpo,
y se arrastra
en dirección a mi estómago,
pudiera terminar
con ese frío en la panza.

porque es fría
la angustia.
si,
es fría
la ansiedad

me escondo bajo mis sábanas
donde el tiempo no me alcanza
donde la espera se mezcla a otras películas.
porque el cine
es una Magnum contra la espera.

caliente el mate
y las sábanas y los brazos y la saliva y la comida y el color amarillo.
frío el tiempo de espera...

 

 

 

Inverno-Primavera 2016 / Edição RaimundA

Paola Santi Kremer

...

 

 

 

 

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

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