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Poesias do ano do golpe

Coletânea de poemas de Mario Travassos

 

Um acontecimento
as salas amanheceram
nossos estômagos
Se despetalaram
as culpas
Voaram
dentro da linha
do vértice
do quadrado
da aula de
desenho geométrico,
que esporrava
tédio
nas tardes
dos nossos últimos dias
antes de sermos
seres que foram
e que carregam
memórias...

* * *

Infinitivo sim
vamos
gritar
estar
matar
A fome
de ser
de ter
de dar

* * *


Enterrei no vaso de aroeira

Um serzinho
tao bonzinho
dócil
gentíl
delicado
fez parte da minha vida
por 15 anos
mãmae chamou ele de theo
angelopoulus
e eu de neném
nunca vi um bichinho mais
lindo
nos ultimos meses
ele deitava no meu peito
o miadinho dele era tão lindo
Que eu queria manter ele perto

* * *

 

Também

enquanto os outros
trabalham
eu estou na rede
na varanda
com árvores
também tenho
meus problemas

* * *


Vou virado
um café no chines da esquina
nota -8 , numa escala de -10 à 10
comida agarrando nos dentes
não dormí
espero meu professor de gravura
chegar no museu
onde eu brincava aos 3, 4 anos de idade
e agora é guardado por seguranças despreparados
Meu coração dói as vezes
tento me acalmar
tenho 38
ainda nem comecei a trabalhar
fiquei no facebook
Tempo demais

* * *

 

Passados
ano passado chegaram os mosquitos
achava que o quinto andar era alto pra eles
coincidiu com o condomínio novo
que felizmente por sua baixa estatura
nao tirou a vista do horizonte de prédios
com suas antenas diversas
e a igrejinha, párea, no alto de um morro
Feita por esses religiosos malucos, nos séculos passados

* * *



Na época da crise
apesar da crise
o meu amor por você
cresceu 757 porcento
apenas no 1° trimestre
no comparativo
registrou
o maior crescimento
desde 2013.

* * *

 

Rei da Babilônia
Nabucodonossor
dizia meu pai
em um apartamento
da decada de 80
comprando pra mim
um prato do super man
dividindo comigo
ele na alavanca
eu com os botões
os controles de um fliperama
naquela rua que
mudou de mão
me botando no colo
pra dirigir o carro
em uma area baldia
depois dos pontos dos ônibus
perto do shopping
onde eu seria pela primeira vez
assaltado
por um jovem adulto negro
que puxou meu relógio preto
grande de borracha novo
aqueles botões redondinhos
Com os quais eu gostava de
brincar de cronômetro
aquele joguinho
que uma empregada
em cuja casa
onde na sala ficavam 4 beliches
Num lugar alto e arborizado
a escola onde mamãe dava aula
um prédio de tijolinhos
como os dois brinquedos
maravilhosos
que papai trouxe
o barulho da chave
o carro chegando na garagem

 

 

 

 

Outono 2017 / Não Temos Tempo de Temer a Morte

Mario Travassos

Sempre gostou de escrever e atuar em diversas formas de Arte, como Teatro, Fotografia, música e cinema, pintura e desenho. São seus primeiros escritos publicados. Cursou ciências sociais na Universidade Federal Fluminense, Graduou-se em música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde Trabalhou com o Professor Samuel Araújo no projeto de pesquisa participativa dialógica-etnomusicológica do grupo Musicultura, na Favela da Maré, no Rio de Janeiro. Participou como Músico Instrumentista tocando teclado, sanfona, escaleta e baixo elétrico em bandas de ska, rock e jazz. Participou da gravação da peça teatral radiofônica de Samuel Beckett “Cascando” no estúdio sinfônico da Radio Mec, transmitido em a.m.

Trabahos com música www.soundcloud.com/mariotrvassos
Trabalhos gráficos www.instagram.com/mariotravassos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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