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Imagem: Nasa's Spitzer Space Telescope

Editorial A versão curta da história é: a ficção científica é um gênero literário particularmente machista. Não porque mulheres não escrevem ou porque ele não leva em conta as particularidades das políticas de gênero, mas porque a recepção desses textos tem sido espetacularmente cisheteronormativa e branca. Traduzindo: mesmo que existam (e existem!) histórias incríveis, o que faz sucesso mesmo em termos de ficção científica é a saga do homem branco, que sai por aí exibindo suas habilidades superiores que parecem ter vindo do além. Filme atrás de filme, livro atrás de livro, parece que a gente tá tendo só versões diferentes da mesma trama, que acaba sempre com a vitória do bem contra o mal, com a reafirmação da superioridade da civilização Ocidental. Tem sido difícil convencer as pessoas de que, ao contrário, a ficção científica é um gênero especial, que tem o potencial de pensar alternativas radicais de como viver o mundo e de mostrar diferentes tipo de respeito pelo diferente. Pensando nisso – e também servindo os meus interesses particulares de passar horas lendo histórias de robôs – a Raimundo decidiu dar a sua pequena contribuição para o fomento da produção de contos, poemas e ensaios escritos por mulheres que se propusessem a cutucar essa ferida. Ninguém vai salvar o mundo hoje.

(clique aqui e leia a íntegra do editorial)

 

Verão 2018

Nebulosa: ficção científica escrita por mulheres 

 

Contos

Ela é tão bonita desligada

de Nathalie Lourenço

Coloquei Joyce no Mercado Livre, mas ninguém comprou. É um tanto difícil vender objetos em que seu esperma já tenha tocado. Mesmo que sua avaliação de vendedor beire os 90%

Exercício para

de Nathalie Lourenço

Existe uma foto que sempre me fazia chorar. São duas crianças de etnias inimigas, mas quase não se vê qual é qual, pois as duas estão cobertas de fuligem, sentadas sobre uns escombros

Existência

de Lu Ain-Zala

— Corre, vai! Anda! Vão nos alcançar! – grita Abini logo atrás de mim, enquanto corremos freneticamente pelo apertado corredor, rumo à cabine da nave Asale, só três metros a nossa frente

Um pequeno passo para a humanidade

de Drielle Alarcon

quando o primeiro uber foi à lua tudo se tornou mais complexo. em uma viagem de cem horas, a escolha entre uma corrida compartilhada ou individual assumiu uma gravidade imprevisível;

Dona Nanã

de Drielle Alarcon

o vigia da rua veio conversar assim que nos mudamos. sondou as nossas ocupações, sugeriu que eu fosse mais grata aos meus empregos, com setenta e dois é raro achar frilas bons.

Todas as mulheres da minha vida eram loucas

de Deborah Happ

Eu passo os dias desviando dos moradores de rua do centro da cidade. Tem uma moeda, senhora? Por favor, senhora! Nos piores dias puxavam minhas roupas, agarravam meus braços.

Alagado

de Deborah Happ

– Da onde vem tanta água? - perguntou Jorge, pisando devagar no piso frio do banheiro, que estava alagado da porta até o limite do chuveiro.

A reconstrução

de Moema Villela

O homem está ajoelhado na banheira de água quente. O vapor sobe da cuba de louça branca, instalada no centro da sala como antigamente.

Linha de montagem

de Ana Gama

— Pega o teu braço do chão. – Dudu já estava familiarizado com os tons de voz da instrutora Vicentina. Se houvesse alguma espécie de painel visível no rosto dela, certamente indicaria um nível crítico de paciência no momento.

Cruzamento

de Lena Luiz

Discutiu com a mãe. Bobagem. Só porque ela recusava todas as sugestões de presente de casamento para a prima, sempre justificando que era caro demais.

Sedimentares

de Juliana Guida

– Quem são ‘eles’?
– Não sei. Até o último brumado ela estava alocada nas usinas, bem. Estas mensagens começaram quando foi designada como enfermeira.

S. S. Lonely Star

de Raquel Parrine

Era 2030. Mais um programa da Nasa tinha sido desenvolvido para extrair metais pesados da atmosfera de planetas que ainda não encontramos.

 

 

Um poema de Tracy K. Smith

Ficção científica

Tradução de Lidia Rogatto

Não haverá bordas, mas curvas / Traços claros apontando exclusivamente para frente / A História, com sua rígida coluna e puídas / Arestas, será substituída por nuances [...]

Um poema de Adrienne Rich

Planetário

Tradução de Mariana Ruggieri

Mulher em forma de monstro
monstro em forma de mulher
os céus estão cheios delas
mulher ‘na neve
entre os Relógios e instrumentos
ou medindo o chão com varas‘  [...]

Coletâneas de poemas

Astroblemas

de Samanta Esteves

How to troubleshoot network connectivity problems

de Thaís Moraes

Ultrasonic Haptics

de Camila Quintanilha

Piripaque XIV e outros poemas

de Noélia Ribeiro

Sem nome

de Ana Júlia Carvalheiro

Lés bi ca e outras tentativas

de Tatiana Delgado

Poemas úmidos

de Ana Beatriz Domingues

Ensaio

Quimeras e outros mundos possíveis, o que podemos alcançar com Ursula Le Guin – comentário sobre A mão esquerda da escuridão

de Ana Rüsche

Não é engraçado que a gente não consiga perfazer um outro mundo completamente diferente do que conhecemos?

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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