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Sem nome

Coletânea de poemas de Ana Júlia Carvalheiro

 

pública

Amada por vocês
desci-ma do meu salto
desarmada
caio e torço-no zelo
um é o oposto
do outro
dão as costas
vocês de mãos dadas
como o lado oculto da lua
quando um vem o outro sai
para comprar cigarros
mas você nunca fumou
eu sei
o que você pode ver do outro lado
no salto me furo
e a vertigem
é só uma expressão
para o que eu não consigo comunicar
subo no salto
e me equilibro no circo
que você faz comigo
sou víbora
vestíbulo, ele me veste
as vísceras ,que são meus fios
desalinhados
apenas com os olhos
se despedem
de mim antes que
eu tenha ido embora
labirinto, peço ajuda
te sigo com os pés
mas não os quero mais seus
cortina nas pálpebras
carinhosamente te abotoo
boto branco
atrair a traição
abruptamente aborto
nem menina nem menino
mergulho no mangue
não quero ser minha
essa que carrego
de todas sou
uma só

e na costura do meu rosto
uno meu ponto de vista
ao seu
peço a senha:
no labirinto
só quem escuta
sabe seu nome.

 

* * *

Usina nuclear

ando pela sua cidade
onde os seres que a habitam
contaminaram-se com o ar
e toda manhã
tomam um copo de néctar
assassinatos acontecem

Enquanto isso
ouço sua voz
e sinto seus dedos
do quarto
andar
sinceros: não ligamos pra nada

continua, você diz
eles falam com a palavra fechada
engatinham em forma de adultos
e dizem, tudo bem
usar a bomba ( na boca)
uma vez na semana

Por tentativa e por nada mais
a contenção é o recipiente
moldado a partir do cosmo-laboratório
onde ficamos enterrados por lençóis
apocalípticos
esperamos nossa época
de tempos mortos passar
desejo e controle
múmias com sonhos estéreis
organismo inflável
cama de água
mente rápida
corações bomba
recusam pronunciar seu nome
quando pergunto
se não existiria outra forma de continuar

não sou recrutada para salvar a cidade
mas continuamos
nossos encontros gravados
inventamos outra forma de pronunciar
aquilo que nos mantem vivos

 

* * *

 

entorpecidas

Vestido
prematuro
da noite
de couro
clara
evidência de estragos

..
Tenho um conselho:
não se mate por tão pouco
começamos logo
o lego da loucura
rasgo
o quadrado mágico
as seis pontas
descastelamento são inevitáveis
minha pobre criança acredita
e eu confirmo
do fundo da minha inocência forjada
que quando crescem
as pessoas não brincam de fazer castelos

Na hora em que o
o sol cai do ponteiro
pegam minhas mãos e prendem-nas
na transparência da palavra que falta
Desmoronamentos
sobrevivemos só porque
no silêncio
você me sabe
E eu te sei
e isso basta
para que o labiritmitíco
seja nossa casa.

 

 

 

 

Verão 2018 / Nebulosa: ficção científica escrita por mulheres

Ana Júlia Carvalheiro

Ana Júlia Carvalheiro nasceu em Casa Branca faz 23 anos. Ganhou um prêmio de incentivo à criação literária pelo ProAc, lançando o Arisca, livro de pequenos contos e poesias pela Editora Medita/Urutau (2015). É graduada em Comunicação Social- Midialogia pela Unicamp (2017),
trabalha e produz para cinema e literatura. Teve alguns blogs, e agora escreve na Tumba.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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