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Um pequeno passo para a humanidade

Conto de Drielle Alarcon

 

quando o primeiro uber foi à lua tudo se tornou mais complexo. em uma viagem de cem horas, a escolha entre uma corrida compartilhada ou individual assumiu uma gravidade imprevisível; persistindo o debate sobre o que seria mais angustiante: um embate político desagradável ou uma viagem com três pessoas em silêncio abismal, agravado pela paisagem. desistiram da oferta de doces já no segundo teste, quando uma condutora teve o olho atingido por uma bala de canela (em câmera lenta). desde então, toda a categoria -- à essa altura, organizada em um sindicato -- resiste à distribuição das garrafas de água, apesar do seu potencial lúdico. o segundo revés se deu na língua. hábeis em desviar de vínculos empregatícios, os empresários não previram que alguns contorcionismos não se aplicam ao espaço. assim vieram as confusões operacionais provocadas pelo onboarding, que substituiu o hiring, e a primeira crise midiática ao tentarem adotar o termination, no lugar do firing. comissões de linguistas já foram mobilizadas. mas a expansão do serviço trouxe também um dado interessante: as áreas periféricas da cidade são as mais bem atendidas. o que levou a equipe de marketing a trabalhar, com interesse e velocidade ofensivos, na chamada adequação da oferta pelo estímulo. o fato é que, só este mês, já anunciaram duas novas badges: do centro ao cosmos, para quem cumprir o trajeto três vezes na semana, e driblador(a) de arranha-céus, para decolagens graciosas feitas na região central. no mais, notou-se que tias e tios do pavê não se aguentam na hora de pedir avaliações cercados por tantas estrelas. mas, para isso, ninguém acha que se encontrará uma solução um dia.

 

 

 

 

Verão 2018 / Nebulosa: ficção científica escrita por mulheres

Drielle Alarcon

Drielle Alarcon é formada em Filosofia e Comunicação Social, ambas pela Universidade de São Paulo. Escritora, interessa-se por narrativas contra-hegemônicas. É uma das envolvidas na produção da Revista Fantástika 451 e, atualmente, prepara o seu primeiro livro. ​

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

Raimundo • Nova literatura brasileira

Quem somos? A Raimundo abre as portas para novos autores e atores da literatura brasileira, entre contistas, poetas, tradutores e ensaístas. Criada em 2014 com proposta de ser uma revista de edição trimestral, pretende acolher obras que pouco encontraram abrigo nos ainda apertados espaços do mundo editorial brasileiro.

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